Pogacar foi mesmo favorecido na Volta à Romandia? “O maior impacto que alguma vez vi motas terem numa corrida”, afirma rival da geral

Ciclismo
quarta-feira, 06 maio 2026 a 12:48
Collage_TadejPogacarLukePlapp
A Volta à Romandia ficou marcada pelo domínio de Tadej Pogacar, mas terá sido isso fortemente influenciado pelas motas? Surge mais um testemunho de um corredor que esteve na prova suíça e sentiu nas pernas quanto o pelotão beneficiou do vácuo atrás das motas de TV.
O tema gerou forte polémica durante a semana, sobretudo após a 4ª etapa, em que uma fuga robusta com Primoz Roglic e Valentin Paret-Peintre foi alcançada na subida ao Jaunpass, depois de ter sido perseguida no vale.
Louis Vervaeke, da Soudal - Quick-Step, foi muito crítico com o que considerou ser uma diferença controlada com ajuda de uma mota à frente do pelotão. “Perdemos 50 segundos em cinco quilómetros. Imagino que tenha sido quando a transmissão televisiva começou. É sempre a mesma história. Assim que entram no ar, as motas estão lá e, por vezes, para mim, isso muda a corrida”.
Paret-Peintre foi mais longe, sugerindo uma decisão consciente: “Se a organização quer que o Tadej Pogacar ganhe, é uma escolha deles. Já o dissemos várias vezes, mas é a vida”.
Há anos que se sabe que, mesmo a 20 metros, os homens que puxam pelo pelotão podem obter um mínimo benefício de vácuo ao perseguirem uma mota. Quando as diferenças são menores, ou um ataque coincide com a presença de uma mota à frente, isso pode alterar significativamente o desfecho da corrida.
Poder-se-ia assumir que, nesse dia, o duo da Soudal - Quick-Step falou a quente, desiludido após ver fracassar a sua perseguição pela vitória de etapa. Mas, no pelotão, Luke Plapp, da Team Jayco AlUla, corrobora a tese.
“Foi simplesmente ridículo, a diferença que fizeram esta semana. Quando a fuga se formava, os rapazes da UAE controlavam, mantinham a fuga por perto. Tinhas um ou dois da UAE a perseguir uma fuga e conseguiam manter tudo muito semelhante”, disse no podcast Stanley St. Social. “E depois as motas entravam à frente do nosso grupo e a velocidade no pelotão tornava-se inacreditável”
O australiano terminou em quinto na classificação geral, esteve nos momentos-chave e não muito longe de Pogacar. O seu relato é mais um num fluxo constante de corredores a falar do impacto atual das motas na corrida.
“Íamos em fila, a sprintar à saída de cada curva, e as diferenças caíam a pique. Foi provavelmente o maior efeito que alguma vez vi as motas terem numa corrida de bicicleta”, chegou a afirmar Plapp. “Houve etapas em que foi quase uma anedota a velocidade a que íamos e o quanto as motas influenciaram”.
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