A 15ª etapa da
Volta a Itália 2026 deixou um travo amargo para a
Unibet Rose Rockets e, em particular, para
Dylan Groenewegen. A equipa neerlandesa foi das mais ativas na perseguição à fuga,
mas o esforço coletivo não bastou para evitar que a vitória caísse para os escapados.
Groenewegen cortou a meta em sexto (segundo do pelotão, atrás de Paul Magnier) após um sprint reduzido, moldado pela fadiga enorme acumulada num dia corrido a fundo. O neerlandês admitiu que o desfecho ficou muito aquém do plano traçado à partida.
“Não é o que esperávamos”,
disse ao Cycling Pro Net. A estratégia era clara desde o quilómetro zero: controlar a etapa e disputar um sprint massivo. Mas uma fuga carregada de homens poderosos resistiu até ao fim.
“Não me enganei; a fuga estava na frente”, explicou Groenewegen, acrescentando que poderá ter lançado o sprint “um pouco cedo demais”. Ainda assim, sublinhou que todos os velocistas do pelotão estavam no limite: “Acho que toda a gente ia no máximo”.
Uma perseguição infrutífera
A grande questão em Milão foi perceber como uma fuga sobreviveu numa etapa absolutamente plana, desenhada, em teoria, para os sprinters. Groenewegen disse que as equipas dos sprinters trabalharam o dia todo, mas simplesmente não chegou para fechar o fosso.
“Tentámos, mas não conseguimos”, disse. “Faltou-nos um pouco”.
A Unibet Rose Rockets assumiu grande parte da despesa na perseguição e esvaziou quase toda a equipa a tentar reduzir a vantagem dos líderes.
“Pusemos a equipa toda na frente”, explicou o neerlandês. E apontou também outras formações influentes no pelotão. “Acho que muitas equipas fizeram o mesmo: Lidl–Trek, Soudal Quick-Step…”
O problema, no entanto, foi que a fuga nunca perdeu velocidade. “A fuga estava demasiado forte”, admitiu Groenewegen.
A sua análise foi além da tática pura e apontou à fadiga acumulada após duas semanas de Grande Volta. O Giro começa a cobrar a fatura até aos especialistas mais potentes do pelotão.
“Toda a gente estava sem energia”, notou. “Os motores estão cansados nesta altura”.
O desgaste da terceira semana chega cedo
Groenewegen descreveu uma etapa especialmente exigente por um conjunto de fatores: calor, velocidade constante e dureza do circuito urbano de Milão.
“Também esteve bastante calor”, afirmou. Isso somou-se ao desgaste dos dias anteriores e à tensão permanente das voltas finais na cidade.
“As voltas locais tornam tudo bastante duro, e os últimos dias ainda o fazem mais”, comentou.
A etapa transformou-se num teste de resistência mais próximo de uma clássica explosiva do que de um sprint típico de Grande Volta. Apesar de falhar o objetivo principal, o neerlandês deixou claro que nada tem a apontar ao trabalho da equipa.
“Hoje fizemos tudo o que estava ao nosso alcance”, disse. “Foi o máximo”.
Uma perspetiva diferente sobre a polémica do circuito
Um dos temas quentes do dia foi a polémica em torno do circuito final de Milão. Vários corredores criticaram o piso, as zonas de empedrado, os carris do elétrico e o risco do traçado, ao ponto de a organização neutralizar os tempos da geral antes da última volta.
Groenewegen, porém, distanciou-se dessas queixas e apresentou uma visão bem mais positiva do percurso.
“Para mim foi bonito”, disse quando questionado se se sentiu em perigo nas voltas finais.
Longe de partilhar a preocupação de outros colegas, o sprinter neerlandês afirmou que aprecia particularmente este tipo de final urbano.
“Adoro as voltas locais”, assinalou. “São bonitas com o público”.
Elogiou ainda o ambiente criado pelos adeptos nas ruas de Milão e o facto de a etapa se ter disputado com bom tempo.
“Felizmente tivemos bom tempo”, acrescentou. “Não tenho nada a apontar”.
As suas declarações contrastaram com as de outros corredores do pelotão, que pediram alterações imediatas à etapa por considerarem o circuito mais perigoso.
Dylan Groenewegen na Volta a Itália 2026
Roma já no horizonte
Após mais uma oportunidade perdida ao sprint, Groenewegen olha inevitavelmente para Roma como uma das últimas grandes chances para os puros velocistas neste Giro.
Questionado diretamente se o final na capital italiana representa a última bala para si e para a Unibet Rose Rockets, o neerlandês alargou o foco e lembrou que a equipa mantém outros objetivos em aberto.
“Temos mais uma semana”, projetou. “Temos também o Wout Poels, temos o Lukas Kubis…”
Quando a conversa voltou às suas hipóteses pessoais ao sprint, Groenewegen admitiu que Roma surge como oportunidade-chave.
“Talvez Roma, sim, vamos ver”, respondeu.
Fê-lo com notável calma, longe de qualquer ansiedade por ainda não ter vencido neste Giro. Perguntado se sente pressão, a resposta foi imediata.
“Não”, descartou. “Já tive isso antes na Volta a França”.