Ruben Guerreiro esclarece polémica, revela lesão e assume pausa na carreira

Ciclismo
terça-feira, 06 janeiro 2026 a 22:07
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As declarações de Ruben Guerreiro surgem num tom de incredulidade e de defesa pessoal. O ciclista mostrou-se surpreendido com a forma como o seu nome foi associado a uma notícia que considera infundada, rejeitando qualquer irregularidade relacionada com localizações ou controlos.
“Até fui ver ao calendário se era dia das mentiras. Não tenho qualquer problema com as localizações, não cometi nenhuma ilegalidade, nunca sequer recebi um aviso de faltas. É normal, às vezes, um pequeno erro, mas eu nunca tive qualquer problema nem percebo o fundamento da notícia. Nestes 11 anos de profissional as pessoas que me acompanham sabem que sempre fui transparente, leal ao trabalho, com ética.”

Não consigo treinar 25-30 horas

O corredor explicou em conversa com o Topcycling que a ausência de contactos recentes com equipas tem razões exclusivamente físicas e não disciplinares. Desde novembro, a prioridade passou a ser a recuperação, longe das exigências de carga típicas do ciclismo de alto rendimento.
“Deixámos de falar com as equipas porque não consigo, desde novembro, fazer uma semana de 25-30 horas. O meu foco agora é ginásio e fisioterapia. Um pouco de bicicleta até onde o corpo dá. Não vou enganar ninguém quando não consigo exercer a minha profissão. Nunca vi um ciclista ser notícia por dar uma falta, mas eu não tenho nenhuma notificação. Não tem qualquer fundamento.”
O problema físico que condiciona esta fase já vem de trás e teve origem durante um estágio de preparação para uma Grande Volta, numa altura em que o sofrimento ultrapassou claramente o limiar do aceitável.
“A primeira grande inflamação foi num estágio com a equipa para o Giro de Itália, nem conseguia dormir quanto mais treinar. Tenho sofrido da cervical, onde tenho uma hérnia (…) Em 2024 as coisas não foram bem avaliadas e andei este tempo todo em esforço.”
Apesar do contexto difícil, o ciclista não fecha a porta ao futuro e deixa críticas veladas à forma como o mercado reage a lesões ou épocas menos conseguidas, sobretudo quando se trata de corredores com mais de 30 anos.
“Ainda não me comprometi com ninguém porque não estou apto para competir, mas estou a fazer a minha recuperação. As equipas parece que estão desesperadas para tentar combater os ciclistas da frente e acabam por se baralhar. Um ciclista com 31 anos, que tem um ano menos bom ou uma lesão, acaba por ser metido na prateleira, mas ainda há muitos corredores acima dos 30 que fazem um bom trabalho e que mostram que a idade é só um número.”
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Para o corredor, o rendimento continua a ser possível em qualquer fase da carreira, desde que haja alinhamento entre todas as partes envolvidas.
“Tudo é possível atingir em termos de performance, basta as pessoas estarem em conexão e haver vontade de todas as partes.”
Durante este período, contou com apoio médico fora do ciclismo, algo que considera determinante para o processo de recuperação.
“Houve um clube grande de futebol que me ajudou, o médico de um clube grande, que me direcionou para um especialista e estou muito grato por isso. Sou cauteloso e prefiro fazer as coisas bem em silêncio.”

Regresso a Portugal? 

A decisão de não procurar equipa foi consciente e comunicada aos seus representantes, numa lógica de pausa controlada e não de abandono da bicicleta.
“Informei as pessoas que me representam que não procurassem equipa. A competir só no nível WorldTour e neste momento a ideia é fazer uma pausa na carreira, mas com a presença da bicicleta assim que possível. Quero recuperar e ir pouco a pouco, sem desconectar da bicicleta.”
“Em finais de 2024 pedi ao meu agente para sair. Não estávamos a ter a melhor comunicação e desde então tem sido um pouco mais para cumprir calendário e dias. Em junho de 2025 reuni-me com uma equipa WorldTour, as coisas estavam a correr bem, mas não se concretizaram e talvez tenha sido o melhor porque mais tarde percebi que precisava de tempo e espaço para resolver a minha situação.”
O balanço dessa passagem mantém-se positivo do ponto de vista humano e competitivo, apesar de uma incompatibilidade clara com o método de trabalho.
“As análises ficam para mim. Prefiro ficar só com os bons resultados. Tinha tudo para ser um casamento perfeito. Mostrei o meu carácter e a minha maneira de ser: transparente, leal, companheiro. Acabei por ganhar a primeira corrida, sucederam-se bons resultados no Gran Camiño e noutras corridas.”
No entanto, a adaptação ao sistema de treino revelou-se um obstáculo difícil de ultrapassar.
“Eles são muito fiéis a um sistema de treino e eu nunca me habituei, era super sensível à carga física e acabou por ser isso, uma má adaptação aos treinos e à forma deles verem as coisas em termos de rendimento.”
E assim termina a ligação de 3 anos do Cowboy de Pegões à Movistar Team. Sem um post de despedida, de agradecimento. O futuro de Ruben Guerreiro está em suspenso, mas longe do seu final.
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