Rui Oliveira quer afirmar-se em 2025 e conquistar a primeira vitória na estrada: "Já são muitos segundos lugares nestes últimos anos"

Ciclismo
sábado, 22 fevereiro 2025 a 12:34
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Rui Oliveira está na sua 9ª temporada na estrada, 7ª na UAE, atualmente, a melhor equipa do mundo. Tem 3 portugueses ao seu lado: o irmão Ivo Oliveira, João Almeida e António Morgado. Numa equipa tão forte, tem sido difícil afirmar-se e o ciclista de 28 anos ainda não somou qualquer vitória como profissional.

A estratégia da UAE Team Emirates - XRG tem passado por reduzir gradualmente o número de sprinters na equipa, para formar um bloco de montanha temível, saíram Jasper Philipsen, Pascal Ackermann, Fernando Gaviria ou Álvaro Hodeg, mas não foi por caso que Matxin manteve o português, pode não ser um sprinter de topo, mas consegue desempenhar um papel fundamental para os líderes na média montanha e em dias de vento, algo que se viu na Volta a Itália 2024, onde ajudou Tadej Pogacar a celebrar a vitória final.

O grande objetivo de Oliveira para 2025 será conseguir a primeira vitória na estrada, numa temporada onde terá mais oportunidades de sprintar: "Falta a primeira vitória, porque já são muitos segundos [lugares] nestes últimos anos. Ainda falta levantar os braços, e é só mesmo isso que falta, portanto, vamos continuar a tentar", confessou.

Um desses segundos lugares em 2024 foi na Volta ao Algarve, na chegada a Tavira, onde ontem não conseguiu figurar entre os 10 mais por ter sido bloqueado por Alberto Dainese, "Estive quase no ano passado, foi por pouco em Tavira, mas este ano o objetivo mantém-se. Este ano temos mais uma chegada também a Faro, que, se calhar, é capaz de chegar ao sprint. Obviamente, estando aqui no Algarve é uma motivação extra. Dá-me sempre um bocadinho de extra força, portanto, vamos ver se corre bem", perspetivou.

Depois da Volta ao Algarve, o português rumará à Bélgica para fazer a Kuurne - Brussels - Kuurne, no fim de semana de abertura, seguindo-se o Tirreno-Adriatico e a restante campanha de clássicas "Depois, tenho as clássicas da Bélgica até à Volta à Flandres, até ao Paris-Roubaix e é por aí", enumerou.

Para já, o seu calendário não contempla qualquer grande volta "Às vezes, não significa que ir a uma grande Volta seja melhor. Numa equipa como a nossa, há poucas oportunidades para ir ao sprint, porque temos sempre um líder enorme na equipa. Temos de trabalhar, perdemos muita força em etapas que temos de tirar [puxar] e chegamos sem força ao sprint. Portanto, mais vale fazer durante aquele mês três ou quatro corridas de menor dimensão e tentar vencer uma corrida, isso é mais importante", explicou.

Nesta entrevista, Rui Oliveira abordou ainda o ouro olímpico conquistado nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, no maddison, surpreendendo ao dizer que não passou a ser mais reconhecido pelas pessoas na rua, "Acho que não mudou nada. Continuou praticamente tudo igual". Ainda assim, reconhece que é um momento que ficará nos livros da história: "Toda a gente conhece Rosa Mota, Carlos Lopes, Fernanda Ribeiro. Todos os nossos campeões olímpicos ficaram na história de Portugal, porque obviamente não são muitos, e, agora, tendo conseguido isso com o Iúri, também acho que vai ficar presente, ainda por cima nesta era das redes sociais, dos media", referiu.

O gaiense ainda se está a adaptar à nova designação de "campeão olímpico": uma menção que "soa um bocadinho diferente" e à qual não está habituado. "Mas é bom. Foi tudo tão rápido, foi tudo tão inesperado que ainda custa um bocadinho assimilar, mas já se vai tornando real", pontuou.

Mas o grande reconhecimento veio do seu ídolo Cristiano Ronaldo, "Até foi uma das primeiras coisas que vi quando fomos ao telefone, que tínhamos lá a menção dele [Ronaldo], mas obviamente é online e não é presencial. Mas, quando estivemos com ele [após um jogo da seleção portuguesa], foi muito bom ouvir que ele tinha muito orgulho no feito que tínhamos conquistado e que percebia o feito que era enormíssimo", revelou à agência Lusa.

O ciclismo é um desporto diferente e os Jogos Olímpicos traçam a época a meio, quando noutras modalidades coincidem com o final da temporada. Fruto dos compromissos na estrada, (depois de Paris seguiu para a Volta à Dinamarca e para o Renewi Tour), não pode usufruir de férias para desfrutar da medalha conquistada, "Sendo ciclista de estrada, tenho os compromissos com a estrada e não posso estar a desfrutar do que é a medalha. [...] Se fosse no final da época, estivesse um mês ou dois de repouso, seria espetacular, podia desfrutar um pouco mais. Mas, sim, é um pouco... não tenho pena, é o que é".

Nem quando a temporada acabou, Rui Oliveira pode ter férias a sério, já que passou por 2 operações, à clavícula e ao nariz: "Fui para o estágio de equipa em Abu Dhabi, após acabar os Mundiais de pista, e tive a operação logo, mal cheguei, e foi recuperar essas duas, três semanas, cheio de dores, e depois começar a treinar. Portanto, praticamente, não tive férias".

Este inverno mais curto também se deveu aos objetivos que tinha neste início de temporada, com os Europeus de pista à cabeça, onde se sagrou vice-campeão europeu de eliminação e conquistou o bronze ao lado do gémeo Ivo no madison, "Fizemos ver que em todas as disciplinas que entrámos, vencemos uma medalha, com praticamente nenhum tempo de preparação, só com um ou dois treinos na pista até aqui. E estar outra vez a lutar contra as melhores nações do mundo, ganhar seis medalhas, acho que dá para ver que tem valido a pena o esforço", defendeu.

Não obstante das condições não serem as mesmas de algumas grandes nações, a seleção nacional tem feito um trabalho brilhante na pista e já se coloca a pressão de vitória a cada competição, "A pressão vai estar sempre para ganharmos medalhas, e quando não conseguimos as pessoas ficam desiludidas, mas uma pessoa sabe o que é custa chegar a este patamar, e o mais importante é as pessoas perceberem de onde é que nós vimos, o quão difícil é ganhar medalhas. Têm de ver que nada cai do céu e o que fazemos para chegar a estas competições e lutar pelas medalhas já é muito", realçou.

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