“Se chegar a Liège ao lado de Tadej Pogacar...” - Especialista aponta a melhor oportunidade de Paul Seixas para surpreender o mundo na Liège

Ciclismo
sexta-feira, 24 abril 2026 a 21:00
Paul Seixas saberá melhor como enfrentar Tadej Pogacar depois da Strade Bianche
Existe um cenário, ainda que estreito, em que o jovem de 19 anos Paul Seixas pode vencer a Liège-Bastogne-Liège na estreia. Não passa por deixar Tadej Pogacar para trás. Não depende de dominar a corrida nas subidas. Assenta em algo muito mais específico.
“Se chegar a Liège com Pogacar e conseguir vencer ao sprint, essa pode ser a sua oportunidade”, explicou o especialista da Eurosport Karsten Migels ao avaliar as hipóteses do francês. Essa frase enquadra todo o desafio que Seixas enfrenta no domingo.

Pogacar, novamente a bitola

A análise mais ampla de Migels deixa pouca margem para dúvidas sobre o desfecho expectável. “Pogacar é o grande favorito. Atrás dele, vejo Evenepoel”, disse. “Espero a vitória do esloveno e, se ele atacar nas subidas, ninguém o conseguirá seguir. Depois, o pelotão não terá hipótese de o trazer de volta.”
É um padrão que tem marcado as últimas edições da Liège-Bastogne-Liège. Nas suas duas vitórias mais recentes, Pogacar atacou na La Redoute e seguiu em solitário até à meta, sem oposição. É esse o cenário que todos os outros terão de evitar.

Uma corrida a três… no papel

Enquanto os Monumentos da primavera foram moldados pelo duelo entre Mathieu van der Poel e Pogacar, as Ardenas mudam o foco. Migels antecipa uma dinâmica diferente, com Remco Evenepoel e Seixas a juntarem-se à conversa para formar, no papel, uma corrida a três.
O caminho de Evenepoel para a vitória, nesse contexto, é mais nítido. “Evenepoel tem uma equipa muito forte e, se os colegas o levarem bem às subidas finais, ele pode fazer a diferença, por exemplo na La Redoute”, disse Migels. “Com as suas capacidades de contrarrelógio, seria então muito difícil apanhá-lo, mesmo para Pogacar. Provavelmente é a sua única hipótese.”
Ainda assim, mesmo nesse cenário, o belga enfrenta uma limitação. Se a corrida voltar a juntar-se tarde, a vantagem muda de imediato para Pogacar.

Seixas chega com embalo, mas persistem dúvidas

A ascensão de Seixas tem sido uma das histórias da época. Segundo na Strade Bianche atrás de Pogacar, uma vitória dominante na geral da Volta ao País Basco e, mais recentemente, o seu triunfo na Flèche Wallonne projetaram-no rapidamente para o primeiro plano.
Migels foi claro nos elogios. “Foi uma exibição incrível de Seixas. A Decathlon fez uma corrida muito forte, apesar de, com uma média de idades de 23 anos, ter a equipa mais jovem em prova. Mantiveram-no sempre bem colocado e ele finalizou na perfeição, com serenidade e à-vontade.”
Mas a conclusão mantém-se prudente. “Continuo a achar que será difícil para ele contra um Pogacar ou um Evenepoel. Especialmente contra Pogacar. Pode talvez ser segundo, mas o que alcançou aos 19 anos já é muito impressionante.”
Esse equilíbrio entre admiração e realismo define a posição de Seixas à entrada de Liège. O talento é inquestionável. O nível está provado. Falta perceber se o consegue aplicar ao longo de 260 quilómetros contra os melhores do mundo.

A força das equipas pode decidir tudo

Um fator que pode moldar o desfecho é o apoio em torno de cada candidato na fase decisiva. “A Red Bull - BORA - hansgrohe e a UAE Emirates - XRG provavelmente vão controlar a corrida, dependendo de como se desenrolar a fase inicial”, explicou Migels. “Na realidade, a corrida começa verdadeiramente na La Redoute. A partir daí, já não falta muito para a meta.”
É aí que o posicionamento se torna crítico e onde Seixas poderá enfrentar o maior desafio. “A equipa tem de estar com ele para o proteger, caso contrário será difícil”, acrescentou Migels. “Pogacar vai dominar como tem feito nas últimas corridas e vencer.”
Paul Seixas durante reconhecimento da Liège-Bastogne-Liège 2026
Paul Seixas durante reconhecimento da Liège-Bastogne-Liège 2026

Um caminho estreito para algo extraordinário

Para Seixas, a equação é simples, mesmo que a execução não o seja. Tem de sobreviver quando a corrida rebentar nas subidas. Tem de aguentar Pogacar quando surgirem os movimentos decisivos. E, se houver oportunidade, tem de fechar ao sprint.
É um caminho estreito. Exige que tudo encaixe. E requer que Pogacar, por uma vez, não se isole. Mas é um caminho que existe.
E, para um jovem de 19 anos que já redefine expectativas, isso pode ser quanto baste.
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