Afonso Eulálio assumiu a liderança da
Volta a Itália graças a uma escapada notável, ganhando vários minutos ao pelotão e ficando a metros do triunfo na etapa desta quarta-feira. O português de 24 anos foi ultrapassado nos últimos 100 metros de um dia demolidor, marcado por mau tempo e subidas íngremes.
O corredor da
Bahrain - Victorious seguiu com
Igor Arrieta como os últimos sobreviventes da fuga de 12 elementos, já com cerca de uma hora de corrida por disputar. Após uma queda de Arrieta a 13 quilómetros do fim, Eulálio também foi ao chão oito quilómetros depois, antes de Arrieta ainda sair do traçado numa curva,
culminando num triunfo de reviravolta dramático para o corredor da UAE Team Emirates-XRG.Apesar do amargo desfecho pela etapa, Eulálio tinha muito para celebrar na meta, ao ganhar mais de sete minutos ao grupo principal dos favoritos. Veste agora a camisola de líder e dispõe de uma vantagem confortável de 2:51 minutos sobre o segundo classificado, Arrieta.
“Para já ainda não sei! Não acredito. É incrível para mim”, admitiu o português na primeira entrevista depois de vestir a Maglia Rosa.
Eulálio foi tudo por tudo pela rosa
Eulálio considerou que a perda do chefe de fila Santiago Buitrago lhe abriu mais oportunidades: “É verdade, sem o Santiago [Buitrago] abriu-se alguma possibilidade”.
Assumiu que dispensava a queda no final e que passou por momentos difíceis devido ao traçado e ao mau tempo, mas quando percebeu que a vantagem sobre o pelotão era suficiente para ambicionar a liderança da corrida, não hesitou.
“No final, se tivesse feito tudo sem a queda seria melhor, mas foi um dia super duro, com as subidas e o tempo. Houve momentos em que senti que não estava no meu melhor, mas acho que todos sentiram o mesmo, e no final estive bastante bem”.
Acrescentou: “Naquela subida íngreme a 50 quilómetros do fim, acreditei que tinha de ir all-in por esta camisola rosa, mas também pela etapa”.
A aposta com Damiano Caruso
Eulálio brincou com uma aposta feita com o colega Damiano Caruso, que se retira no final da época, como motivação para tentar vencer duas etapas na Volta a Itália, mas sublinhou o foco em construir consistência com a equipa.
“Quero muito ganhar uma etapa, também porque tenho uma aposta com o Damiano Caruso. Se eu ganhar duas etapas, ele diz que assina por mais um ano. Mas haverá mais oportunidades”.
“Procuro trabalhar com a equipa e continuar com mais consistência, sem mais altos e baixos. Mas vamos ver, estamos a trabalhar muito para isso”.
Ao tornar-se no terceiro português a vestir a Maglia Rosa, a consistência será crucial para Eulálio na missão de segurar a camisola. Fê-lo com humildade, rejeitando poder repetir a longa passagem de João Almeida pela rosa em 2020.
“Vai ser bom vestir a rosa, com certeza. Não posso fazer o mesmo que o Almeida. O Almeida é super forte, mas vou tentar estar bem nos próximos dias”.