“Senti pena por ele. Sabia o quanto queria aquela vitória” - Neilson Powless recorda quando bateu Wout van Aert na Dwars door Vlaanderen 2025

Ciclismo
quarta-feira, 01 abril 2026 a 13:30
Dwars door Vlaanderen: Neilson Powless surpreende Wout van Aert e Tiesj Benoot no pódio
A Dwars door Vlaanderen de 2025 foi uma das corridas mais dramáticas da época e um dia que ficará na memória do ciclismo moderno. A Team Visma | Lease a Bike partiu a prova e criou a fuga ideal com três homens num grupo de quatro, mas desperdiçou a oportunidade e perdeu para Neilson Powless. O norte‑americano, ausente este ano, recorda como tudo aconteceu.
“A equipa, na verdade, não queria que eu corresse. Até insisti para fazer também a Gent‑Wevelgem. O compromisso foi eu abdicar de Wevelgem, mas poder correr a Dwars. Visto agora, correu bastante bem”, disse Powless em entrevista ao Het Nieuwsblad.
Talvez tenha sido mesmo o ponto alto da sua carreira. A Visma optou por não atacar e tentou levar Wout van Aert ao sprint para garantir a sua vitória. Porém, enquanto Powless tinha as melhores pernas, o belga estava longe disso e perdeu num cenário em que, no papel, seria o mais forte.
“Nunca pensei que iria bater o Wout ao sprint. Só nos últimos cinquenta metros comecei a acreditar que ia ganhar. Fiz simplesmente o sprint da minha vida. Vinte segundos acima dos mil watts. Para alguém que não é sprinter, não está nada mal”, explica. Foi também fruto do trabalho de Powless, surpreendido por estar no grupo da frente, mas a tirar o máximo partido da situação.
“Foi um dos melhores dias que alguma vez tive na bicicleta. Naquele momento percebi que tinha pernas para não ceder. Não queria ser surpreendido, por isso tentei eu próprio impor o ritmo no empedrado em certos momentos”.

Dwars door Vlaanderen não é assunto que abordemos

O norte‑americano já estava satisfeito por poder discutir a corrida depois da ofensiva da Visma, e a vitória não era um cenário realista após o ataque. Mas as circunstâncias jogaram todas a seu favor e ele soube agarrar a oportunidade com as duas mãos. “Ficaria feliz com o segundo lugar. Senti o Wout um pouco nervoso, mas não conseguia acreditar que o tinha batido. Primeiro incredulidade, depois felicidade pura. Parecia um sonho de criança”.
Ainda assim, ficou com sentimentos mistos por ter sido ele a tirar‑lhe a vitória. “Senti-me mal por ele. Sabia o quanto queria aquela vitória, o quanto precisava dela. Bate tantas vezes à porta e nem sempre se abre. Mas também percebi quantos grandes resultados já tem. A minha simpatia não durou muito”.
“Fomos companheiros de equipa e tenho muito respeito por ele. Gosto de falar com o Wout, mas sobretudo sobre os nossos filhos e como conciliar a paternidade com ser ciclista profissional”, explica, sendo a corrida um tema evitado. “Waregem não é assunto que abordemos. Para mim é uma grande memória, para ele algo que prefere esquecer. E eu compreendo”.

Clássicas fora do horizonte mas Volta a França possível

Este ano o norte‑americano não pôde estar presente para defender o título, já que uma lesão no joelho tem arruinado a sua época até agora. Foi obrigado a falhar toda a campanha da primavera e espera recuperar a tempo de preparar devidamente a Volta a França.
“Hoje pude sair para a estrada durante uma hora pela primeira vez”, revelou. “A recuperação está a ser mais lenta do que o esperado e isso é frustrante. Mas estou a progredir. Ainda há algum tecido cicatricial. A parte boa é que a dor desapareceu, e isso é o mais importante”.
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