Estar no topo do ciclismo profissional exige hoje mais dinheiro do que nunca e, num contexto em que várias equipas aumentam o orçamento, a
Team Visma | Lease a Bike procura um novo patrocinador principal e reforçar o seu budget até 2027. Segundo o CEO da equipa,
Richard Plugge, é possível que isso aconteça ainda antes da Volta a França.
A UAE Team Emirates - XRG dispõe de um orçamento na ordem dos 60 milhões de euros por época, enquanto a INEOS Grenadiers se mantém há muitos anos estável nos 50 milhões. Contudo, nas últimas temporadas, o estatuto da Visma como principal rival da UAE tem vindo a diluir-se com a entrada de dois “gigantes” na modalidade.
Um é a Lidl-Trek, que neste inverno contratou Derek Gee e Juan Ayuso mantendo o núcleo de líderes. O outro é a Red Bull - BORA - hansgrohe que, desde a entrada do gigante das bebidas energéticas, tem feito várias movimentações de grande dimensão no mercado.
Ambas as equipas operam com orçamentos muito elevados e, pelo que se vê, estão dispostas a investir para resgatar contratos de outros ciclistas. A Red Bull fez isso com Primoz Roglic para 2024 e agora com Remco Evenepoel até 2026, usando a capacidade financeira para montar rapidamente uma equipa de topo, em vez de se ajustar aos prazos contratuais em vigor.
As contratações de Evenepoel, Roglic, Giulio Pellizzari e Jai Hindley, a par da evolução de Florian Lipowitz como voltista, transformaram a Red Bull numa nova super-equipa (que, além disso, construiu do zero um bloco forte para as clássicas, rendendo em toda a campanha da primavera).
A Visma, entretanto, manteve os seus líderes Jonas Vingegaard e Wout van Aert, mas captar grandes nomes não tem sido tão simples. A chegada de Matteo Jorgenson para 2024 foi perfeita, enquanto a ascensão de Matthew Brennan como sprinter promete muito. Porém, com Tadej Pogacar e Mathieu van der Poel no auge, tanto Vingegaard como Van Aert têm mais dificuldade em somar as grandes vitórias que a equipa neerlandesa em tempos acumulou — embora a maré pareça estar a inverter-se.
Mas a Visma precisa de mais recursos para ser competitiva no mercado de transferências face às rivais — com a Decathlon CMA CGM Team potencialmente às portas de se tornar outro gigante. A própria Visma vai deixar o lugar de patrocinador principal da formação, e a equipa neerlandesa procura agora um substituto.
“Ainda não temos um novo patrocinador principal. Mas também não é um ‘não’ absoluto. Neste momento, não temos um novo patrocinador principal. É não até ser sim, e só é sim quando estiver realmente fechado”, disse Plugge ao Het Laatste Nieuws. “Estamos a ter boas conversas com várias partes muito promissoras. Em vários aspetos, o cenário é bastante positivo.”
Um novo patrocinador a tempo da Volta a França?
Cauteloso nas palavras, o gestor sabe que não deve ser excessivamente confiante nesta fase, mas reconhece que, quanto mais cedo a equipa garantir o futuro no topo, melhor. E a
vitória de Wout van Aert na Paris-Roubaix pode ter sido um ponto de viragem na mesa das negociações.
“Cada vitória é importante, mas esta correu mundo e surgiu num momento muito oportuno nessa procura, assim como no reforço da ligação que já tínhamos construído com várias partes”, argumentou. “Espero poder partilhar mais dentro de alguns meses. Seria ótimo anunciarmos algo na partida da Volta, em Barcelona. E, se não, 01.01.2027 também é perfeitamente aceitável.”
Ainda assim, apesar da pressão, não se trata de uma ameaça existencial — é antes a tentativa de elevar o nível global da formação, face a um conjunto de equipas que também evolui ano após ano.
“Não estou stressado porque temos uma boa perspetiva a longo prazo. A Visma é um patrocinador muito leal e importante que quer continuar. Com a Lease a Bike, a Rabobank e a Mistral AI, temos um bom leque de parceiros. Procuramos esse patrocinador principal adicional para podermos dar o passo seguinte”, concluiu.