O primeiro bloco de corrida da
Volta a Itália 2026 terminou no Corno alle Scale e nada muda. Pelo menos para o prodígio português
Afonso Eulálio. O jovem de 24 anos sobreviveu aos primeiros testes de montanha de camisola rosa,
mantendo uma margem sólida de dois minutos sobre Jonas Vingegaard, que continua a reduzir, dia após dia, a vantagem de Eulálio. Mas o primeiro verdadeiro dia de descanso deste Giro pertence a Eulálio.
“Antes de mais, é perfeito chegar ao dia de descanso com a camisola rosa”, sublinhou Eulálio, entusiasmado, numa entrevista na meta. “Era um dos objetivos da equipa e lutámos todos por isto”.
Longe de esperar por um golpe final, Eulálio não se esconde no fundo do pelotão durante as etapas, exibindo a rosa dia após dia. E no topo de hoje, ainda enfrentou alguns dos sérios candidatos à geral para chegar em quinto, a 41 segundos de Vingegaard. “Sobre hoje, este top cinco é uma loucura. Lutei com o grupo dos favoritos, com os homens da geral, e é surreal… Ainda me estou a habituar”.
“Toda a equipa me ajuda sempre. Todos fazem o seu trabalho na perfeição, todo o staff, todos os corredores. No final, o Damiano foi incrível. Esteve a proteger-me… é o Damiano Caruso. Na minha primeira corrida profissional de sempre [Circuito de Getxo em 2020], o Damiano venceu… e agora tenho o Damiano a ajudar-me. Nem tenho palavras”.
Hora de reabastecer
Eulálio leva cinco dias de camisola rosa, mas após o dia de descanso, espera-o um verdadeiro teste às suas capacidades e à sua fortaleza mental
com um contrarrelógio de 42 quilómetros. Como se adivinha, o “crono” não é a disciplina preferida do trepador português. A expetativa é que o atual segundo classificado, Jonas Vingegaard, anule os 2:24 para Eulálio no exercício individual, mas ainda há muito em jogo para o jovem líder da
Bahrain - Victorious.
Afonso Eulálio mantém a camisola rosa após a 9ª etapa da Volta a Itália 2026
Embora esta já seja a segunda participação de Eulálio numa Grande Volta, a experiência é muito diferente da do Giro do ano passado, quando o português correu maioritariamente fora dos holofotes, explica:
“Vivemos todos os dias sob pressão total. Acabamos a etapa, depois temos todas as entrevistas, a viagem para o hotel, o jantar muito tarde… depois acordamos, abrimos as malas, voltamos a fechá-las. Por isso, primeiro é aproveitar o dia de descanso e levar tudo com muita calma. Vamos tentar encontrar um bom café e, depois, vamos ver o percurso com a equipa e dar tudo no contrarrelógio. Não é a minha melhor disciplina, mas temos de lutar.”
O que há para lá da camisola rosa
Embora os seus dias de rosa pareçam estar a chegar ao fim, Eulálio terá muitas outras oportunidades para deixar marca neste Giro, com várias etapas de alta montanha na segunda e terceira semanas desta edição. Há alguma etapa em particular que desperte o interesse de Eulálio?
“Duas semanas ainda vão ser muito longas. Há dias que já parecem longos, e noutros podes perder dez minutos. Temos é de ir dia a dia.”