No pelotão profissional pode pedalar-se lado a lado durante anos e, mesmo assim, detestar-se cordialmente. O francês Steve Chainel e a lenda suíça
Fabian Cancellara são o exemplo perfeito. Nunca foram de férias juntos e, a julgar por uma entrevista recente, a animosidade está longe de desaparecer.
“Francês de m*rda” e uma total falta de respeito básico
Em declarações à
Winamax TV, Chainel, profissional entre 2007 e 2015 e hoje comentador de ciclismo na Eurosport, não poupou palavras ao descrever a postura arrogante do duplo campeão olímpico para com ele e os seus compatriotas.
Convidado a partilhar a sua opinião sincera sobre o antigo colega suíço, Chainel lançou de imediato uma crítica dura ao caráter de Cancellara, alegando que o especialista em contrarrelógio insultava recorrentemente os franceses e nunca lhes mostrou o mínimo de decência.
“Fabian Cancellara? Um cabrão! Detestei-o e, ainda hoje, custa-me ultrapassar isso porque, francamente…” atirou Chainel. “Mas gostava de um dia poder conversar com ele, porque para nós éramos os ‘Francese di merda’ (‘francês de m*rda’, em italiano)”.
Fabian Cancellara na Volta à Flandres de 2026
Para Chainel, a frustração nascia da sensação de ter ganho o seu espaço entre os duros das campanhas da primavera. Via-se como um verdadeiro “classicoman”, mas Cancellara recusava reconhecer-lhe o estatuto ou tratá-lo como par.
“Entre classicomans fala-se. Sentia que era um classicoman, tinha-me afirmado um pouco”, explicou Chainel. “Quando te atiras por dentro na travagem, grita-se, mas depois acalma. Com ele, sentia mesmo que gozavam comigo. Cancellara foi o tipo de quem nunca gostei na carreira porque nunca teve uma palavra simpática. Se calhar é também por isso que é campeão”.
Cancellara em contraste com outros corredores
Enquanto Cancellara disparava insultos, Chainel recorda interações cordiais com corredores tão ou mais famosos. Enumerou vários antigos rivais que, segundo ele, eram bem mais fáceis de enfrentar na estrada.
“Tipos como o Lars Boom, o
Tom Boonen, davam-me sempre uma palmada no rabo e diziam ‘Hey Steve!’ Pelo menos sabiam o meu primeiro nome, havia respeito”, notou Chainel.
Destacou como Boonen fazia sempre um esforço extra para criar ligação. “O Boonen esforçava-se por falar em francês, dizia-me: ‘Vi-te no ciclocrosse’”, revelou. “O Sylvain Chavanel era super porreiro, o Juan Antonio Flecha extraordinário, o David Millar super porreiro”.
Para sublinhar o que considera ser a atitude singularmente pobre de Cancellara, Chainel evocou até uma das figuras mais polarizadoras do desporto, notando que esse corredor mostrava mais respeito no pelotão do que o suíço.
“Cheguei a fazer uma Volta à Flandres com o Lance Armstrong, então na RadioShack”, concluiu Chainel. “Até ele me deu uma palmada no rabo, ou seja, ‘conhecia-me’”.