Pela primeira vez na
Volta a Itália 2026, não haverá onde se esconder. A corrida já foi moldada por quedas, desistências, oportunidades perdidas e mudanças de liderança, mas a chegada em alto no Blockhaus, esta sexta-feira, deverá finalmente levar a luta pela geral para terreno de pura montanha.
Isso traz
Jai Hindley de volta a uma montanha com verdadeiro significado. O corredor da
Red Bull - BORA - Hansgrohe não segue apenas para a primeira grande chegada em alto da prova.
Ele regressa à subida onde venceu no seu triunfo na
Volta a Itália de 2022 e às estradas onde aprendeu, pela primeira vez, o que é realmente um longo passo de montanha europeu.
“Foi mesmo, pá, comprida como tudo”, recordou Hindley aos jornalistas, ao evocar as primeiras memórias do Blockhaus dos tempos em que corria nos Abruzzo como amador. “Nunca tinha feito uma subida tão longa, por isso foi talvez uma das mais longas da minha vida até então, e foi super fixe. Vivia a uns 50 km, por isso, para mim, é uma montanha bastante especial”.
Blockhaus dá a Hindley e à Red Bull a primeira grande plataforma para a geral
A Red Bull chega ao primeiro teste decisivo de montanha com duas cartas.
Giulio Pellizzari já mostrou que consegue responder às acelerações de Jonas Vingegaard, enquanto Hindley traz a autoridade de um antigo vencedor do Giro e um histórico comprovado no Blockhaus.
Essa combinação conta. Vingegaard continua a ser a referência clara, mas o Giro já ficou sem vários candidatos esperados. João Almeida, Mikel Landa e Richard Carapaz nem chegaram a partir, enquanto Adam Yates, Jay Vine, Marc Soler e Santiago Buitrago foram entretanto afastados por quedas. O resultado é um pelotão da geral onde qualquer equipa com duas opções vivas ganha peso tático extra.
Hindley não tem ilusões sobre o que a sexta-feira pode revelar. “É super importante”, analisou. “Acho que é o primeiro grande teste. No Blockhaus vamos certamente ver diferenças e teremos uma boa ideia de quem tem pernas nesta corrida. Temos uma boa equipa. Acho que também podemos estar com dois corredores no final, esperamos, esse é o objetivo, e depois logo se vê”.
Uma etapa desenhada para expor fragilidades
A subida é apenas parte do desafio. A 7ª etapa tem 244 km, o dia mais longo do Giro, com o pelotão a enfrentar a estrada para Roccaraso antes da rampa final para o Blockhaus. Essa distância muda a equação. Não é um teste curto e explosivo onde se pode disfarçar com frescura. Quando os favoritos chegarem à última ascensão, a fadiga já será profunda. “Chegaremos lá com muita fadiga nas pernas depois de um dia longo, e a subida final é mesmo dura”, sublinhou Hindley. “Vai ser um dia a sério”.
Para Hindley, é a oportunidade de transformar terreno conhecido em afirmação. Para Pellizzari, é a primeira hipótese de confirmar se a boa impressão inicial resiste a uma batalha de montanha mais longa. Para Vingegaard, é o momento em que o estatuto de favorito pode consolidar-se ainda mais ou, finalmente, ser colocado sob pressão.
A semana de abertura já alterou o desenho deste Giro antes de a montanha começar a sério. O Blockhaus deverá mostrar quem está pronto para o mudar na estrada.