A
6ª etapa da Volta a Itália oferece nova oportunidade aos sprinters para lutarem pela vitória, enquanto o pelotão segue rumo a norte. Com final plano em Nápoles, espera-se um sprint espetacular. Contudo, há previsão de chuva e, com a meta em paralelos, multiplicam-se as preocupações e as críticas à organização.
A queda na 2ª etapa afetou dezenas de corredores e deixou todas as equipas em alerta máximo. No quinto dia, os ciclistas correram por vezes debaixo de um autêntico dilúvio, aumentando o receio de quedas que podem condicionar a corrida para todos.
Assim, esta quinta-feira o pelotão estará pouco confortável com um final que deverá apresentar paralelos molhados, uma ameaça para os homens da geral, mas sobretudo para os sprinters, obrigados a abordar a zona a alta velocidade para discutirem o resultado.
O traçado da sexta etapa foi alterado recentemente, com a remoção de uma colina tardia, pelo que se espera um sprint massivo puro. A chegada não será junto ao mar, como já aconteceu; desta vez será na Piazza del Piebiscito, um dos pontos centrais de Nápoles. Mas o problema desta escolha é evidente para muitos.
Mapa do final da 6ª etapa
Segurança e finais espetaculares raramente combinam
“Estão a procurar sarilhos. Já terminámos aqui [em Nápoles] antes e, normalmente, seguia-se em frente. Era sempre um final muito bom para os sprinters”, sublinhou o diretor desportivo da
Team Visma | Lease a Bike,
Marc Reef, ao
In de Leiderstrui. “Agora, primeiro apanhamos paralelos miúdos e depois terminamos em lajes de pedra grandes”.
Está longe de ser um sprint convencional, ainda que a ligeira subida até à meta possa reduzir velocidades e riscos. Mas, dentro do último quilómetro, haverá uma curva de 90 graus e outra de 180 graus, ambas em terreno plano, obrigando os sprinters a arriscar para disputar uma vitória prestigiante.
Embora a meteorologia não possa ser controlada, Reef considera que a mudança do local de chegada era desnecessária. “Para mim, não é preciso estarem sempre à procura disto. Também teriam um grande sprint de outra forma”.
Com a segurança a ser tema central no ciclismo nos últimos anos, é difícil ignorar o final técnico em Nápoles, onde o equilíbrio entre segurança e um cenário fotogénico é ténue. “Acho que querem imagens bonitas da chegada naquela praça. Para mim, não é necessário. Temos é de passar a quinta-feira em segurança, sem correr riscos. Depois olhamos em frente”, concluiu.