Wout van Aert em dificuldades: crise pontual ou sintoma de algo mais profundo na Visma? "Há algo de errado com esta equipa"

Ciclismo
terça-feira, 01 abril 2025 a 20:00
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O arranque complicado de Wout van Aert nesta primavera tem gerado mais do que simples dúvidas sobre a sua forma física. Depois de um desempenho discreto na E3 Saxo Classic e uma campanha de clássicas até agora pouco inspirada, começam a surgir vozes que apontam para problemas mais profundos dentro da própria Team Visma | Lease a Bike.

Entre os mais críticos está o conhecido comentador belga Michel Wuyts, que no seu podcast Wuyts & Vlaeminck levantou a hipótese de que os problemas de Van Aert podem refletir um mal-estar mais estrutural na formação neerlandesa. No centro da sua análise está a saída de Merijn Zeeman, antigo director desportivo da equipa e uma das figuras chave na ascensão da Visma ao topo do ciclismo mundial.

“Há algo que não está bem nesta equipa”, afirmou Wuyts. “Há pequenos problemas por todo o lado. Ciclistas que regressam de períodos longos de inactividade, como Van Baarle. Van Aert, que nunca vi sair tão fraco de um estágio em altitude. As coisas podem mudar rapidamente, mas sinto que ali há algo disfuncional.”

As palavras de Wuyts surgem num momento delicado para Van Aert, que apostou uma vez mais, num bloco de preparação em altitude em Teide, uma estratégia que no passado lhe deu bons resultados. Este ano, contudo, o rendimento não correspondeu às expectativas, levantando dúvidas sobre o seu estado de forma, mas também sobre o ambiente técnico e estrutural da equipa.

Para Wuyts, a saída de Zeeman deixou um vazio que ainda não foi devidamente colmatado. “As pessoas não percebem o peso que o Zeeman tinha naquela estrutura. Tinha carisma, autoridade natural. Quando falava, as coisas alinhavam-se. Tenho a sensação de que ainda não encontraram um substituto à altura. O Heijboer está lá, mas não impõe da mesma forma. Quando o Zeeman falava, eu ouvia.”

A Team Visma | Lease a Bike, que em 2023 conquistou as três Grandes Voltas, entra agora num novo ciclo, onde a ausência de algumas figuras estruturantes começa a notar-se. A primavera de Van Aert - ciclista que tantas vezes foi o pilar da equipa nas clássicas - está a ser vista não apenas como um caso isolado, mas possivelmente como um reflexo de algo mais sistémico.

Com as grandes clássicas a aproximarem-se - e com a Paris-Roubaix no horizonte - resta saber se Van Aert conseguirá reencontrar a melhor versão de si próprio… ou se a Visma precisa de mais do que boas pernas para voltar a dominar.

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