Após uma reviravolta dramática, decidiu correr depois de inicialmente optar por falhar,
Mathieu van der Poel não chegou a Benidorm a pensar transformar a Taça do Mundo numa exibição a solo. Só percebeu isso depois de já ter assumido o compromisso.
“Não esperava vencer desta forma”,
refletiu o campeão do mundo na entrevista pós-corrida. “Pensei que se decidiria outra vez na última volta, embora as condições fossem diferentes”.
O que mudou tudo foi a volta inaugural.
Tibor del Grosso arrancou forte desde o tiro de partida, suficiente para acionar o instinto de Van der Poel.
“O Tibor fez uma primeira volta muito boa e então decidi atacar”, explicou. “Tentei fazer duas voltas muito fortes, esperando que os outros começassem a olhar uns para os outros. E acho que foi isso que aconteceu”.
O momento em que Benidorm ficou decidido
Essa aposta precoce definiu toda a corrida. Uma aceleração na reta de meta em ligeira subida bastou para partir o pelotão. A partir daí, Van der Poel seguiu sozinho, ampliando a vantagem de forma constante e transformando a Taça do Mundo num exercício controlado a solo.
Atrás, a corrida baralhou-se repetidamente com tentativas de organizar a perseguição.
Thibau Nys e
Felipe Orts acabaram por isolar-se na luta pelo segundo lugar, com Nys a distanciar-se de Orts na volta final. Mas a disputa pelo pódio nunca ameaçou o desfecho na frente.
Quando Van der Poel entrou na última volta, tinha quase 50 segundos de margem. Já não precisava de gerir rivais, apenas a si próprio. Cortou a meta em “cavalinho”, gesto condizente com o controlo com que conduziu a corrida.
Benidorm não se decidiu pela paciência ou pela espera. Decidiu-se com uma decisão precoce, duas voltas brutais e um corredor que confiou que os restantes hesitariam o tempo suficiente.