“Ou tens isto ou não tens”: Zonneveld vê em Del Grosso o “fator X” que torna Van der Poel especial

Ciclocrosse
quarta-feira, 14 janeiro 2026 a 4:00
van der poel del grosso
O fim de semana dos Campeonatos Nacionais de ciclocrosse trouxe exibições de nível e algumas surpresas, mas talvez a maior tenha surgido na prova de elites femininas dos Países Baixos. Na corrida mais aguardada do pelotão feminino, Lucinda Brand era a grande favorita. Mas… algo correu mal e a ciclista de 36 anos foi “apenas” terceira, algo inédito há quase um ano.
“Ela nunca entrou verdadeiramente na corrida”, começa o jornalista Thijs Zonneveld na análise no podcast In de Waaier. “Ficou para trás na primeira volta e não mais a vimos. É bastante estranho, tendo em conta que venceu praticamente todas as provas este ano”.
Brand apontou o frio extremo como explicação para a má prestação. “É diferente quando está este frio. Toda a gente tem um ponto de rutura a partir do qual o rendimento cai. Quando estás tão focada em manter o corpo quente, tens um problema. Pode variar de um dia para o outro, mas, claro, há ciclistas que lidam melhor com isto do que outras”.
A corrida foi vencida pela Ceylin Alvarado, em excelente forma. “Está a andar muito bem. Começou a época mais tarde, naturalmente, por problemas no joelho”. Zonneveld considera que isso foi uma vantagem face a uma Lucinda Brand “sobrecompetida”, quase sem pausa desde outubro.
Em todo o caso, não devemos extrapolar conclusões desta prova para o Campeonato do Mundo, marcado para daqui a três semanas. Em casa, em Hulst, as neerlandesas voltarão a ser levadas ao limite pelo público. E Zonneveld está convicto de que Brand pode “absolutamente” dar a volta e regressar ao melhor nível.
“Estes circuitos são muito diferentes quando a chuva descongela. Ficam lamacentos, muito mais de potência e menos técnicos. É mesmo diferente. Há uma boa probabilidade de haver lama em Hulst. Isso é uma vantagem real para a Brand, porque se vê o quão dotada tecnicamente é a Alvarado”.

Del Grosso segue as pisadas de Van der Poel

Tibor del Grosso reviveu as sensações de quando conquistou o título neerlandês no ano passado
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Pelo contrário, a prova masculina não tinha um favorito claro, embora o nome de Tibor del Grosso surgisse mais do que qualquer outro. E, ainda que tenha estado longe de ser um passeio, a determinação do corredor da Alpecin-Deceuninck foi recompensada com a defesa bem-sucedida do título nacional.
Mas os seus adversários diretos merecem igualmente elogios de Zonneveld. “Gostei imenso do [Lars] Van der Haar e do [Pim] Ronhaar, pela forma como nunca desistiram. E também pela frieza do Del Grosso, mesmo quando cai”.
Zonneveld destacou sobretudo aquele que, para si, foi o momento definidor da corrida: “O Del Grosso saltou da bicicleta, por cima das barreiras, e quando voltou a montar, o pedal levou um ligeiro toque, que fez a corrente saltar”.
Um desastre para um comum mortal, mas nada que travasse o homem que procura aproximar-se de Mathieu van der Poel: “Ele colocou a corrente em andamento! Estava encaixado, a pedalar, percebeu que não havia pressão na corrente e voltou a pô-la com a mão enquanto seguia. Adoro isso. Parece fácil, mas não é, sobretudo com frio”.
“Foi tão fluido e tão rápido”, prossegue Zonneveld, admirado. “Perdeu uns segundos e ficou por aí. Se aquilo acontece de outra forma, como ter de desmontar ou ficar com a corrente presa, aí precisas mesmo de tempo. Podes perder um Campeonato Nacional assim”.
E a comparação com o grande Mathieu van der Poel torna-se inevitável. “Isto é o fator X. É o estilo Van der Poel de dizer: ‘Limpo uma pedrinha do caminho’ ou ‘Salvo-me de uma queda onde todos os outros cairiam.’ São pequenos detalhes… ou tens isto, ou não tens. Vê-se nele, e ver-se-á ainda mais nos próximos anos”, conclui Zonneveld.
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