“Talvez devesse voltar a pedir a licença”: Sven Nys sorri enquanto Mathieu van der Poel bate o seu recorde histórico de vitórias na Taça do Mundo

Ciclocrosse
segunda-feira, 26 janeiro 2026 a 10:00
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A troca de detentor do recorde pouco alterou a perspetiva de Sven Nys. Depois de ver Mathieu van der Poel isolar-se com a 51.ª vitória na Taça do Mundo, em Hoogerheide, o antigo recordista reagiu sem nostalgia nem defensiva, mas com um sorriso conhecedor.
“Talvez deva voltar a pedir uma licença”, brincou Nys, antes de aterrar a ideia na realidade. “Embora não ache que ainda fosse capaz de o bater”, acrescentou, em declarações ao VTM Nieuws.
Um dia antes, quando Van der Poel igualara as 50 vitórias, Nys já tinha enquadrado o momento como inevitável. Ver o recorde cair de forma inequívoca não mudou esse tom. Pelo contrário, reforçou a leitura do que acredita estar a acontecer.

Nys aprecia o momento, não o marco

“Posso desfrutar de ver como o Van der Poel anda aqui”, disse Nys. “Está, creio, na melhor versão de si próprio”. Não como um pico isolado, mas como um corredor a atingir o topo com aparente facilidade.
Nys sublinhou essa visão lembrando o que Van der Poel já fez neste circuito. Citou o Campeonato do Mundo de 2023, em Hoogerheide, onde Van der Poel bateu Wout van Aert ao sprint após um longo duelo. “É um atleta completo”, apelidou Nys, “alguém de quem devemos desfrutar enquanto continuar a competir aqui”.
As questões sobre quanto tempo Van der Poel continuará a ser presença regular no ciclocross estão sempre por perto. Nys rejeitou a ideia de que a história esteja perto do fim. “Dentro de dois anos, o Campeonato do Mundo volta a realizar-se aqui”, afirmou. “Parto do princípio de que ele cá estará”.

Um estado de espírito diferente no ‘clã’ dos Nys

Nem todos no clã Nys partilharam essa serenidade na tarde de domingo. Thibau Nys ficou fora do pódio após uma leitura tática falhada no sprint atrás de Van der Poel, frustração que o pai não escamoteou.
“Ele percebe que hoje perdeu taticamente”, analisou Nys. “Sentiu que podia fazer a diferença, mas não foi suficiente”. Ainda assim, vincou que a crença permanece. “O Thibau confia na condição e isso vai notar-se na próxima semana”, adiantou, com o olhar no Campeonato do Mundo.
Nys enquadrou também a desilusão como potencialmente útil. “Um momento destes pode trazer alguma acutilância, foco e agressividade”, afirmou.
No fim, a mudança de mãos do recorde soou menos a capítulo encerrado do que a progressão natural. O nome de Nys pode já não estar sozinho no topo da lista da Taça do Mundo, mas a sua reação deixou claro que vê o domínio de Van der Poel não como rutura com o passado, mas como o desporto a prosseguir no seu mais alto nível.
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