O momento decisivo da
Strade Bianche surgiu a mais de 70 quilómetros da meta, quando
Tadej Pogacar desferiu mais um ataque demolidor de longa distância no setor de Monte Sante Marie. A partir daí, a corrida atrás dele transformou-se noutra coisa.
Para
Tom Pidcock, que passou grande parte do final no grupo perseguidor dos favoritos, a dificuldade não foi apenas física.
Assim que Pogacar ficou isolado nas estradas de gravilha toscanas, a dinâmica da perseguição mudou de imediato.
“Acho que se sente aqui um bocado de desalento em toda a gente”,
disse Pidcock depois, em entrevista à TNT Sports. “Com a UAE a correr assim, não há muito a fazer.”
Problemas mecânicos travam o ímpeto de Pidcock
Pidcock ambicionava manter-se entre os candidatos ao pódio atrás do esforço solitário de Pogacar, mas o britânico revelou que dois incidentes mecânicos na fase-chave da corrida lhe quebraram claramente o ritmo.
“A corrente caiu-me duas vezes em Sante Marie”, explicou. “Isso matou mesmo o meu ímpeto”.
Os problemas surgiram no mesmo setor de terra batida onde Pogacar fez a aceleração decisiva, o que tornou o timing particularmente penalizador. “Não acho que tenha mudado muito, além de me ter gasto um pouco mais”, acrescentou Pidcock. “De qualquer forma, não iria bater o Tadej”.
O impacto psicológico do ataque de Pogacar
À medida que a vantagem de Pogacar aumentava nas ondulantes estradas brancas da Toscana, o grupo perseguidor encontrou-se num cenário familiar. Houve corrida, mas a sensação de que a vitória estava decidida instalou-se rapidamente.
“É muito difícil no grupo de trás quando sabes que a corrida se foi”, disse Pidcock. “Podes sempre dizer a ti próprio que agora a corrida é esta, mas não é bem assim quando já vai um homem na frente”.
Houve um momento em que a diferença pareceu gerível, mas a hesitação no grupo tornou a perseguição cada vez mais complicada. “A certo ponto, sim”, respondeu Pidcock quando questionado se acreditou que ainda era possível alcançar Pogacar. “Mas é um fosso bem grande quando já há quem esteja a pensar no final”.
Tadej Pogacar segue isolado na Strade Bianche 2026
Cenário repetido na gravilha toscana
Para Pidcock, que tem construído um registo sólido na
Strade Bianche nos últimos anos, a corrida voltou a expor a dificuldade em responder quando Pogacar ataca de longe.
Assim que o esloveno forçou a seleção decisiva em Monte Sante Marie, a luta pela vitória desapareceu, na prática, do grupo perseguidor. Os restantes favoritos ficaram entregues à disputa pelo pódio, enquanto Pogacar seguia sozinho rumo a Siena.
Atrás, a corrida continuou, mas, como deixou transparecer a reação de Pidcock, o desfecho já soava inevitável muito antes da linha de chegada.