“A ideia de que ele pode vencer as 6 etapas parece-me descabida”: Javier Ares rejeita a ideia do pleno de Tadej Pogacar na Volta à Romandia

Ciclismo
terça-feira, 28 abril 2026 a 14:00
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A Volta à Romandia regressa ao calendário como um clássico que mistura tradição e dureza, uma corrida marcada pelo perfil montanhoso e pelo seu papel histórico na preparação para os maiores objetivos do ciclismo. Durante décadas, a prova suíça foi referência para aferir a forma dos candidatos à Volta a Itália; este ano serão os candidatos à Volta a França a utilizá-la como a última corrida da sua campanha de primavera.
Hoje, como dizemos, o contexto mudou. A planificação moderna, assente em estágios em altitude e calendários mais seletivos, reduziu a presença dos grandes líderes neste tipo de corrida. Ainda assim, a participação de Tadej Pogacar este ano devolve o foco que o evento já teve.
Javier Ares sublinha esse contraste entre passado e presente, notando que “é uma corrida disputada em solo suíço, na região francófona, e durante muitos anos ganhou ainda mais prestígio pela sua ligação à Volta a Itália”. Na mesma linha, recorda como o ciclismo atual mudou: “Agora é muito mais difícil encontrar aspirantes ao Giro a correr aqui, porque os corredores preferem passar um mês em altitude antes de atacar os seus principais objetivos”.
O comentador da Eurosport, no seu canal de YouTube, destaca também o impacto direto da presença do esloveno este ano: “a corrida foi recuperada para a ribalta nesta ocasião pela presença de Pogacar, e isso diz muito, é uma garantia de sucesso”. Embora relativize esse efeito, admitindo que “de certo modo também ofusca a participação de muitos outros corredores”, insiste que Pogacar “confere-lhe um cachet e um pedigree que lhe devolvem todo o brilho”.
Ares enquadra ainda a ambição do líder da UAE numa moldura mais ampla: “Pogacar procura robustecer esse palmarés deslumbrante que já tem, enriquecer o calendário com vitórias neste tipo de corridas por etapas”. Uma decisão que, explica, faz parte da construção rumo a objetivos maiores: “Este ano apontou a Romandia e a Volta à Suíça como rampa de lançamento para a Volta a França”.
Sobre a evolução da corrida, frisa que “os tempos mudaram, e mudaram porque assistimos a uma forma diferente de preparar a época”. Mesmo assim, não desvaloriza o apelo do evento: “Temos de aceitar o que vemos e aproveitar as ocasiões em que alguns dos grandes favoritos se cruzam para oferecer belas batalhas”.

O percurso da Volta à Romandia

Quanto ao percurso, Ares sublinha a sua dureza e variedade: “As etapas restantes têm montanha com fartura, com finais exigentes que podem criar diferenças”. Um desenho que, no seu entender, abre a porta a diferentes protagonistas: “Não haverá espaço para sprinters puros, mas haverá muito para muitas outras equipas encontrarem o seu momento”.
A potencial dominância de Pogacar é outro ponto-chave na sua análise. Embora reconheça o estatuto de favorito, trava as expectativas mais extremas: “A ideia de que ele pode vencer as seis etapas parece-me verdadeiramente descabida”. E acrescenta um detalhe importante: “Ele não vai a fundo todos os dias, nem todas as etapas lhe são talhadas, apesar do traçado muito exigente”.
Aborda também o debate sobre um possível fator de ‘intimidação’ do esloveno: “Não quero negar que haja alguma verdade na ideia de que certas equipas preferem evitá-lo, mas não creio que seja a principal razão”. Para Ares, a explicação é mais simples: “Muitas equipas escolhem outras corridas pelo perfil do percurso ou pela sua planificação de calendário”.
Por fim, é claro quanto à hierarquia atual no pelotão: “Ele é um favorito tão esmagador que neste momento não se pode colocar ninguém ao seu nível”. Porém, acrescenta o elemento imprevisível do ciclismo: “Até se cruzar a linha de meta final, ninguém é campeão, nem mesmo Pogacar”.
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