Às vezes, dar um passo atrás é o que é preciso para dar dois para a frente. É essa a ideologia que leva a
Soudal - Quick-Step a regressar às suas raízes nas Clássicas em 2026, embora a transformação dificilmente se complete após apenas um inverno. Ou… poderá? Além de mudanças profundas no plantel, chegam também novos elementos à estrutura belga, ainda que sejam rostos bem conhecidos:
Niki Terpstra como diretor desportivo e
Tim Declercq como treinador.
Ambos viveram os tempos áureos do “Wolfpack”. Terpstra, numa função fulcral, conquistou todas as grandes Clássicas empedradadas, incluindo a Paris-Roubaix (2014) e a Volta à Flandres (2018). Pelo contrário, Tim “El Tractor” Declercq teve um papel bem mais discreto nesses anos, quase sempre a fazer o trabalho duro nas fases iniciais das corridas. Agora, ambos regressam à equipa, com a ambição de transmitir experiência à nova geração do Wolfpack.
“Sempre senti uma ligação à equipa”, começa Terpstra, em entrevista à
Sporza. “Esta era a escolha mais lógica para mim. Não me vejo a juntar-me a outra equipa tão cedo. Sobretudo agora que estamos a voltar a ser uma grande equipa de clássicas e queremos ganhar em todo o lado. Isso motiva-me muito.”
“A parte mais difícil já está feita: montar uma boa equipa. Fizemos um trabalho fantástico”, entusiasma-se Terpstra com a mais recente janela de transferências.
Para o novo diretor desportivo, a química interna será chave para escrever um novo capítulo vencedor: “Agora temos de forjar um grupo sólido, disposto a ir mais além uns pelos outros. Temos corredores de topo, incluindo vencedores de monumentos e clássicas, e um jovem talento muito ambicioso.”
O peso das expectativas recairá sobretudo em dois reforços experientes: Dylan van Baarle e
Jasper Stuyven. Além disso, Laurenz Rex e Yves Lampaert podem ter um papel relevante, enquanto Paul Magnier e Tim Merlier são cartas fortes para os sprints. “Temos também corredores capazes de apoiar muito bem os nossos líderes. É essa a força que precisamos, força em toda a linha”, acrescenta Terpstra.
O que fazer contra MVDP ou Pogacar?
A questão impõe-se: a força coletiva chegará para pressionar Van der Poel ou Pogacar? “Eles podem ser batidos. Mas terá de ser em bloco. Individualmente, são tão fortes que será muito difícil. Também são humanos, como vimos na Amstel Gold Race. Temos de tirar daí a nossa confiança. Com uma boa tática e um bom grupo, podemos bate-los”, acredita.
O plano é simples: “Se eles arrancarem a 120 quilómetros da meta, temos de ir com eles. O final ainda está longe. Se tiveres gente suficiente ali, podes atacar alternadamente ou obrigá-los a fechar com colegas na roda. É preciso saber capitalizar isso, mas para tal têm de estar corredores suficientes na frente.”
“Claro que podemos olhar para o passado e como o fazíamos antigamente. Mas os tempos são outros. Podemos inspirar-nos no que fizemos nessa altura, mas teremos também de inventar coisas novas.”