A passagem de
Arnaud De Lie pela
Volta a Itália de 2026 foi breve, mas deixou marca à sua maneira. O belga voltou a perfilar-se entre os sprinters mais aguardados após a Famenne Ardenne Classic, porém as suas ambições foram travadas por
uma doença contraída nessa mesma corrida, que o recolocara no centro das atenções depois de uma primavera mediana.
Nas redes sociais, o departamento médico da Lotto-Intermarché foi alvo de críticas por ter permitido a partida de De Lie, mas, segundo o diretor desportivo
Kurt Van de Wouwer, isso é injusto:
“O De Lie já estava na Bulgária quando adoeceu. Ele próprio estava muito determinado em partir. Esperávamos que pudesse recuperar gradualmente nas etapas búlgaras e que depois ainda pudesse fazer algo, mas isso não aconteceu”.
Assim, a equipa belga ficou rapidamente reduzida a cinco elementos na primeira semana do Giro, já que os doentes vindos da Famenne Ardenne Classic - Arnaud De Lie e Milan Menten - abandonaram, e o substituto do terceiro indisposto (Liam Slock), Joshua Giddings, chamado à última hora, foi vítima de uma das muitas quedas da primeira semana e desmontou na quinta etapa.
A recuperação não correu como previsto
Voltando a De Lie, apesar do estado de saúde frágil, o belga ainda participou no primeiro sprint em Burgas. A partir daí, porém, piorou dia após dia.
“A recuperação simplesmente não decorreu com a fluidez habitual. Visto agora, é fácil concluir que não conseguiu regressar, mas isso não se consegue antecipar. Noutras situações, recupera-se dia após dia. Em princípio, as três jornadas na Bulgária também não foram super duras. Se as tivesse conseguido ultrapassar, teria sido perfeito”.
Haverá outras oportunidades
De Lie acabou por abandonar o Giro na quarta etapa, completamente esgotado. Segundo Van de Wouwer, não havia alternativa. “Ele tinha de ir para casa”, afirmou o dirigente. “A doença ainda se arrastou por mais alguns dias. Mas, felizmente, agora tem tempo suficiente para recuperar e preparar os próximos objetivos. Não devemos apressar nada”.
Também não fazia sentido prolongar o sofrimento de De Lie com uma nova grande aposta no verão, num reencontro com a Volta a França. “No ano passado, também atingiu o seu melhor nível de toda a temporada nesse período”, tranquiliza Van de Wouwer. “Estamos convencidos de que veremos o De Lie voltar ao seu melhor e que ainda podemos fazer algo desta época em conjunto”.
A Volta à Valónia é agora a corrida mais próxima no calendário de De Lie, no início de junho, e Van de Wouwer acredita que veremos o valão no seu melhor na prova caseira: “Faltam ainda pouco menos de duas semanas, por isso, em princípio, deverá dar”, assegurou.