“Achei que ele era demasiado jovem, mas por que não?” - Geraint Thomas apoia Paul Seixas para a estreia na Volta a França... mas não como candidato à geral

Ciclismo
sexta-feira, 01 maio 2026 a 17:10
Paul Seixas
Geraint Thomas é a mais recente figura de topo a intervir no debate cada vez mais aceso em torno de Paul Seixas e uma potencial estreia na Volta a França, apoiando a presença do jovem francês já este verão, mas alertando contra colocar-lhe ambições de geral aos ombros.
Falando no seu podcast Watts Occurring, a figura da INEOS Grenadiers admitiu que a sua opinião mudou após as recentes exibições de Seixas.
“Achei que ele era demasiado jovem, mas por que não?”. disse Thomas.
Thomas, agora Diretor Desportivo na INEOS Grenadiers, integra também uma estrutura associada a uma eventual futura mudança de Seixas, a par da UAE Team Emirates - XRG. “Eu é que não o colocaria a correr para a geral, embora provavelmente o façam. O mais importante é a equipa tentar baixar a temperatura na comunicação social”, acrescentou.

Apoio com limite claro

Geraint Thomas com o Maillot Jaune
Thomas conhece bem a pressão do Tour após vencer a Maillot Jaune em 2018
A posição de Thomas reflete uma divisão mais ampla de opiniões que se instalou no pelotão à medida que a ascensão de Seixas acelerou. Pauline Ferrand-Prevot defendeu que um corredor neste estado de forma deve aproveitar o momento. “Acho que quando tens a forma, tens de a aproveitar”, disse após a Flecha Valona.
Em contraste, Bernard Hinault apelou à prudência face a uma possível estreia no Tour este verão. “Toda a gente diz que ele deve correr a Volta… Não estou convencido”, afirmou, apontando às exigências muito distintas de uma corrida de três semanas.
Thomas, porém, não acredita que manter Seixas longe do Tour reduza o escrutínio em seu redor. “Essa pressão vai existir de qualquer forma”, explicou. “Quanto mais cedo se habituar a ela, mais depressa aprenderá a lidar com isso”.

Aprender a lidar com o foco mediático

Para Thomas, o Tour não é apenas desempenho, é exposição ao ambiente que acabará por definir a carreira de Seixas. “O mais importante é a equipa tentar baixar a temperatura na comunicação social”, reiterou, sublinhando a necessidade de controlar as expectativas sobre um corredor já sob forte atenção.
Vê o momento atual como uma janela única em que Seixas pode viver a corrida sem o peso das expectativas que inevitavelmente virão. “Agora, ninguém fica desiludido se ele não ganhar, mas daqui a uns anos isso pode ser diferente”, disse Thomas.
Essa lógica sustenta a sua convicção de que a exposição precoce pode acelerar o desenvolvimento de Seixas, sobretudo no plano mental. “Se ele aprender a lidar com a pressão agora, talvez esteja pronto quando uma verdadeira prestação lhe for realmente exigida”.

Um panorama em mudança atrás de Pogacar

Thomas enquadrou ainda a emergência de Seixas no contexto mais amplo da modalidade, em particular a dominância de Tadej Pogacar. “Há doze meses pensávamos que ninguém ia bater o Pogacar nos próximos cinco anos, e de repente aparece o Seixas”, afirmou.
Essa mudança, na opinião de Thomas, pode não ser caso único. “Atrás do Seixas há mais talentos à espera de que nada sabemos ainda. Algures anda um miúdo de 17 anos que nem sabemos que existe e que pode bater à porta em breve”.
Chegou mesmo a sugerir que o panorama pode voltar a mudar rapidamente. “Dou 18 meses até aparecer alguém ainda melhor. Quanto mais grandes adversários houver, mais motivado estará o Pogacar. Isso é muito bom para o ciclismo”.

Pressão em alta após Liège

O segundo lugar de Seixas na Liege-Bastogne-Liege só intensificou a conversa. Depois de seguir Tadej Pogacar mais fundo na corrida do que qualquer rival e de superar candidatos estabelecidos como Remco Evenepoel, o jovem de 19 anos passou de talento emergente a potencial fator de Grande Volta em apenas uma tarde.
Essa exibição amplificou uma narrativa já poderosa em França: a procura por um verdadeiro candidato à Volta a França pela primeira vez desde Bernard Hinault.
Enquanto o debate continua por fora, internamente a Decathlon CMA CGM ainda não confirmou se Seixas correrá o Tour este verão. O diretor de performance Jean Baptiste Quiclet salientou que qualquer decisão será tomada a pensar no desenvolvimento a longo prazo e não no embalo momentâneo, com a equipa determinada em não correr riscos desnecessários nesta fase da carreira do corredor.
Assim, Seixas permanece no centro de uma das grandes questões que marcam a entrada no verão. Deve ser protegido da Volta, ou exposto a ela?
A resposta de Thomas é clara. Deixem-no correr. Só não para ganhar.
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