Análise: De João Almeida a Christian Scaroni, da Alpecin a Primoz Roglic, quem foram os destaques positivos e os negativos do 1º mês da temporada?

Ciclismo
sexta-feira, 28 fevereiro 2025 a 14:01
joaoalmeida janchristen

21 de janeiro marcou o arranque da temporada de estrada de 2025, com o Tour Down Under, que coroou Jhonathan Narváez como vencedor. Janeiro foi calmo, mas fevereiro já trouxe muito ciclismo, com destaque para as corridas em Portugal: a Figueira Champions Classic e a Volta ao Algarve. A maioria das grandes estrelas já entraram em competição e alguns já venceram, analisamos o mais e o menos deste primeiro mês de competição, começando pelos pontos positivos.

UAE Team Emirates - XRG

A equipa liderada por Matxin foi a melhor equipa do mundo em 2024, com 81 vitórias e esta temporada parece querer melhorar esse registo, começaram com 2 vitórias no Tour Down Under, a 5ª etapa e a classificação geral, ambas com Narváez.

Depois, apareceu António Morgado, o português estreou-se na temporada com uma vitória no Gran Premio Castellón e alguns top 10, antes de voltar a vencer novamente, na Figueira Champions Classic, com um solo fantástico. Na Volta ao Algarve, esteve muito bem na Fóia, quebrou no contra-relógio e acabou em 11º na geral.

O outro português em destaque na UAE neste inicio foi João Almeida. Voltou a demonstrar a sua tremenda regularidade, ao ser 2º na Volta à Comunidade Valenciana e 2º na Volta ao Algarve, onde foi derrotado.... nada mais nada menos que por um bicampeão do Tour, Jonas Vingegaard, na fase plana do contrarrelógio final.

Chegámos até aqui e ainda não falámos da grande estrela da equipa, Tadej Pogacar, isto mostra bem a profundidade da UAE. Pois bem, Pogi já abriu a sua temporada e pasme-se, venceu a geral do UAE Tour, juntando-lhe 2 vitórias de etapa, nos finais em alto.

Destaque ainda para os bons arranques de Adam Yates - venceu a Volta ao Omã -, Jan Christen - venceu uma das provas do Challenge de Maiorca e uma etapa na Volta ao Algarve - e Pavel Sivakov - ganhou a Volta à Andaluzia. Têm um total de 12 vitórias e são, sem surpresas, a equipa com mais pontos UCI este ano.

XDS Astana Team

Poucas pessoas, até mesmo dentro da Astana, podiam prever um inicio de temporada tão bom da equipa, agora chinesa. São "só" 3 vitórias e surgiram todas no último fim de semana, por intermédio de Christian Scaroni - venceu a Classic Var, a 1ª etapa e a geral do Tour des Alpes Maritimes et du Var - mas a atitude da equipa tem sido completamente diferente e já acumulam 13 pódios e 42 top 10 - são a segunda equipa com mais pontos em 2025.

Scaroni tem sido o grande destaque neste inicio, o italiano conseguiu terminar no top 10 em 7 dos 9 dias de competição que fez, um registo incrível. Melhorou muito nas subidas e continua a ter uma grande ponta final, pelo que a Astana pode ter aqui uma grande arma para somar pontos. Max Kanter também começou bem, com 4 top 10 ao sprint, entre eles um 2º lugar, mostrando que a vitória pode estar perto. Gate, Champoussin, Malucelli e Poels também têm sido nomes em destaque.

Movistar Team

A Movistar é outra das equipas que arrancou bem a temporada, somando já 4 vitórias, todas com jovens - Javier Romo ganhou no Tour Down Under, Cepeda foi campeão nacional equatoriano de contra-relógio, Iván Romeo ganhou uma etapa na Volta à Comunidade Valenciana e Jon Barrenetxea ganhou na Volta à Andaluzia - para além das vitórias, o que tem saltado à vista é a atitude da equipa, não têm tido medo de atacar, têm jogado bem taticamente e já deram muito espetáculo.

Javier Romo é o elemento em destaque, foi quem mais pontuou em 2025, dentro da Movistar, pontos que proveem exclusivamente da campanha australiana, onde ganhou uma etapa no Tour Down Under e terminou em 2º lugar na geral e foi 4º classificado na Cadel Evans Great Ocean Road Race.

Iván Romeo e Pablo Castrillo também estão a voar, principalmente o primeiro, que conseguiu terminar no top 10 na Volta à Comunidade Valenciana e no top 5 do UAE Tour, resultados surpreendentes para o jovem de 21 anos, que, antes de 2025, todos viam como "apenas" um bom contra-relogista.

Tim Merlier, Santiago Buitrago e Jonathan Milan

2 sprinters e um voltista, porque motivo colocá-los no mesmo saco? Porque os 3 arrancaram muito bem a temporada, com vitórias importantes. O campeão europeu Tim Merlier venceu por 4 vezes em 2025, duas no AlUla Tour e duas no UAE Tour, aqui sim, perante uma concorrência feroz, entre eles Jonathan Milan, que também ganhou 2 etapas nesta corrida, juntando-lhe uma vitória na Volta à Comunidade Valenciana e um 2º lugar num final em alto nesta mesma corrida. Parecem claramente os dois melhores sprinters da atualidade e vão voltar a enfrentar-se na Kuurne - Brussels - Kuurne. Quanto a Santiago Buitrago, arrisco-me a dizer que nunca tinha feito um arranque de temporada tão bom, venceu a geral Volta à Comunidade Valenciana, batendo João Almeida, e juntou-lhe duas vitórias de etapa. Foi também 2º no Tour des Alpes Maritimes et du Var, muita expectativa para ver o que pode fazer no Paris-Nice.

Tom Pidcock

Pidcock mudou de ares e surgiu revigorado, ganhando a geral do AlUla Tour, com 2 vitórias de etapa, seguindo-se mais uma vitória na Volta à Andaluzia e um 3ºlugar na geral, em provas que, convenhamos, não tinham uma concorrência de topo, no entanto são bons sinais do britânico.

Jonas Vingegaard

Antes da 4ª etapa da Volta ao Algarve, não incluiria o dinamarquês nos pontos positivos, mas a excelente exibição no contrarrelógio final e consequente vitória na classificação geral deram-lhe uma menção honrosa. Afinal de contas, a concorrência era forte e Vingegaard levou de vencida uma corrida que costuma ser talismã para a restante temporada.

Alpecin - Deceuninck

Entrando nos pontos negativos, a equipa belga faz, sem dúvida, parte deles. É certo que Mathieu Van der Poel ainda não começou a temporada de estrada, mas a equipa tem outros valores além do campeão em título da Volta à Flandres e da Paris-Roubaix, entre eles Jasper Philipsen, que saiu do UAE Tour de mãos a abanar, perdendo as batalhas contra Milan e Merlier. Foi a primeira vez desde março de 2022 que Philipsen não ganhou numa corrida por etapas, acredito que não é motivo para alarme, mas não deixa de ser um inicio abaixo do esperado. A restante equipa também ainda não rendeu em 2025 e contabilizam um total de 0 vitórias, com escassos 2 pódios e 12 top 10. Perspectivo uma melhoria, quando Van der Poel entrar em ação, muita expectativa também para ver o que faz Tibor del Grosso.

Intermarché - Wanty

A outra equipa que ainda não picou o ponto em 2025 foi a Intermarché. Girmay esteve regular nas clássicas espanholas e na Volta ao Algarve, acumulando 5 top 10, o próprio Arne Marit fez um 2º lugar no Tour Down Under, mas a restante equipa está muito apagada, parecendo cada vez mais dependente do eritreu.

Primoz Roglic

Tem vindo a ser habitual nos últimos anos, o esloveno começar as temporadas mais discreto. Parece ainda um pouco pesado e as indicações na Volta ao Algarve não foram as melhores, sobretudo, tendo em conta que o seu objetivo será a Volta a Itália e ciclistas que têm como objetivo a Volta a França - Almeida e Vingegaard - estiveram bem melhor. Saiu do Algarve com um 9º lugar na Fóia, um 12º no contrarrelógio e um 8º posto na geral final, foi um começo medíocre, esperam-se melhorias na Volta à Catalunha.

Esta é uma análise que se circunscreve apenas ao 1º mês da temporada, muita coisa pode mudar, alguns ciclistas como Evenepoel, Van der Poel, Skjelmose, Daniel Martínez ou Ayuso ainda não entrararam em ação e março trará muitas corridas por etapas que certamente mudarão algumas destas avaliações.

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