“Depois do que o Isaac está a fazer, há cada vez mais mexicanos na Europa” - Jovem talento da Quick-Step elogia o impacto de Del Toro no crescimento do ciclismo mexicano

Ciclismo
terça-feira, 24 fevereiro 2026 a 19:00
Isaac del Toro
Com apenas 18 anos, Jose Said Cisneros já garantiu lugar numa das estruturas de desenvolvimento mais respeitadas do ciclismo. O trepador mexicano subiu à Soudal - Quick-Step Devo Team, via oficial para a equipa WorldTour Soudal - Quick-Step, coroando uma ascensão rápida iniciada há apenas três anos.
A falar de San Marino, onde está atualmente baseado, Cisneros recordou o seu percurso numa entrevista ao Avituallamiento Ciclista e, inevitavelmente, a conversa virou-se para o compatriota Isaac del Toro.

De Jalisco à Europa em três anos

Nascido a 23 de abril em Jalisco, Cisneros descobriu o ciclismo quase por acaso durante a pandemia. O que começou como uma regra familiar para reduzir o tempo de ecrã rapidamente evoluiu para algo mais sério.
“Descobri o ciclismo durante a pandemia. A minha mãe dizia-nos sempre que, antes de usar o telemóvel, tínhamos de fazer desporto. Eu e o meu irmão começámos a sair de bicicleta… e, com o tempo, fui gostando cada vez mais”.
Só levou a modalidade a sério aos 15 anos, relativamente tarde face a muitos europeus que crescem em sistemas estruturados. “Estou no ciclismo há relativamente pouco tempo comparado com outros que começaram aos cinco ou seis”.
Cisneros define-se sobretudo como trepador, mas acredita ser versátil. “Adapto-me bem a todas as condições. Acho que sou bastante completo.” Com 1,70 metros e entre 50 e 52 quilos, o seu físico favorece a alta montanha e ambições de geral.

Aprender o pelotão europeu

O potencial cedo chamou a atenção. Em 2023, foi contactado pela AR Monex Pro Cycling Team, uma estrutura mexicana sediada em San Marino. Depois de vários testes e um estágio na Cidade do México, fez a mudança para a Europa.
A diferença foi imediata. “No México, um pelotão pode ter 20 corredores e, passado um bocado, só 10 ficam a disputar a corrida. Em Itália, são mais de 100, e todos ao mesmo nível. Se alguém fica para trás, é porque furou”.
Para Cisneros, o contraste está na profundidade e nos números. “No México, não há um número tão exagerado de ciclistas que possam ir competir, e nem todos conseguem estar na frente”.
A sua progressão acelerou no segundo ano de júnior, ao corrigir erros iniciais. “Percebes o que estavas a fazer mal e tentas não repetir. Estive sempre focado no que queria alcançar”.

Explosão no Ruanda e sucesso nacional

Muitos observadores internacionais repararam nele quando foi 17º no Campeonato do Mundo no Ruanda, num circuito exigente.
“Foi um circuito duro. Para mim, ainda mais exigente pelo meu peso; não é o mesmo sustentar 400 watts pesando 60 quilos do que pesando 50. Mas gosto de corridas duras e sabia que tinha boas pernas”.
Em casa, conquistou ainda o título nacional júnior de estrada e foi segundo no contrarrelógio. “Sabia que podia fazê-lo. Talvez no ‘crono’ tenha chegado com as pernas um pouco inchadas da viagem, mas isso ajudou-me na prova de estrada”.

O efeito Isaac del Toro

Cisneros integra uma nova geração de mexicanos a afirmar-se na Europa e é claro sobre a influência de Isaac del Toro. “Depois do que o Isaac está a fazer, há cada vez mais mexicanos na Europa. E muitos mais estão a caminho”.
É igualmente direto ao avaliar a ascensão de Del Toro. “É bastante impressionante como melhorou tanto em tão pouco tempo. Não creio que algum ciclista tenha tido um progresso tão rápido”.
Segundo Cisneros, o crescimento do ciclismo mexicano tem sido gradual, mas consistente. “Há três ou quatro anos que há alguns mexicanos na Europa, mas agora somos cada vez mais”.

A mudança para a Soudal Quick-Step

A consistência foi decisiva para atrair o interesse da Soudal Quick-Step. Em vez de vitórias isoladas, Cisneros colocou-se regularmente no top 10 e top 15 em corridas europeias.
“Quem percebe da modalidade vê quem está constantemente a entrar nas corridas. Tentei fazer top 10 em todas as competições”.
O contacto com a equipa belga desenvolveu-se ao longo da época, culminando num estágio na Bélgica e na confirmação da subida à equipa de desenvolvimento.
“É extremamente profissional. Vives ao lado de corredores que ganham etapas em Grandes Voltas ou que as podem ganhar. Todos os dias estou a aprender”,
Destacou também a relação com o colega brasileiro Henrique. “Comunicamos muito bem. É mais fácil conviver quando partilhas a língua”.

Estreia na Volta ao Ruanda e ambições de geral

A estreia oficial com a equipa ocorreu na Volta ao Ruanda, que se iniciou no passado domingo, prova que já lhe traz boas recordações.
Olhando em frente, as ambições estão bem definidas. “Vejo-me como um corredor para provas por etapas, para a classificação geral”.
Para 2026, mantém o foco realista. “Primeiro, aprender o máximo possível e depois fazer tudo para ter a melhor estreia possível com a equipa”.
Apesar do pouco tempo na modalidade, Cisneros fala com maturidade e otimismo.
“Se o ciclismo é algo de que gostas mesmo, não hesites em fazê-lo. Como tudo, há dias bons e maus, mas há mais bons do que maus”.
Com apenas três anos de competição e já integrado numa das principais estruturas de desenvolvimento do pelotão, Said Cisneros personifica o crescimento internacional e sustentado do ciclismo mexicano, um movimento que acredita estar apenas a começar.
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