“Ao vencer a Volta a Itália, fica até à frente de Pogacar” - Imprensa italiana considera que a decisão de Jonas Vingegaad pode mudar o xadrez das grandes voltas

Ciclismo
terça-feira, 24 fevereiro 2026 a 18:00
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Em Itália, a estreia de Jonas Vingegaard na Volta a Itália não está a ser tratada como um mero ajuste de calendário. Está a ser apresentada como um movimento de legado.
Escrevendo para a Tutto Bici Web, o respeitado jornalista Cristiano Gatti argumenta que o dinamarquês “já venceu o prólogo do Giro 2026. Só por decidir vir”. A lógica vai além do espetáculo.
Para Gatti, a decisão reflete “uma virtude infelizmente cada vez menos comum num mundo que calcula tudo em transferências bancárias: sabedoria”.
No cerne do argumento está a rivalidade com Tadej Pogacar. “Ao vencer o Giro, ele coloca-se à frente até de Pogacar”, escreve Gatti, sugerindo que acrescentar a grande volta italiana ao seu palmarès elevaria Vingegaard a um patamar histórico ainda mais raro entre os campeões de corridas por etapas.

Sabedoria acima da obsessão

A época de 2026 de Vingegaard já tinha sido redesenhada antes do anúncio do Giro. Uma queda de treino no inverno, em Espanha, doença subsequente e uma retirada tardia do UAE Tour perturbaram a preparação. O regresso foi depois recalibrado via Paris–Nice, enquanto se adensaram dúvidas sobre a estabilidade no início da época na Team Visma | Lease a Bike após a saída do treinador de longa data Tim Heemskerk.
Neste contexto, Gatti vê a escolha do Giro como estratégica e não reativa. Concentrar tudo apenas na Volta a França, defende, seria “um risco demasiado grande, sobretudo com Pogacar por perto”.
Vencer o Giro primeiro “colocaria imediatamente o balanço de 2026 no verde”, porque “diga-se o que se disser sobre a Volta a Itália, ganhá-la continua a ser uma conquista que define uma época”.
O elemento psicológico é central na coluna. Gatti sustenta que chegar ao Tour já com uma Grande Volta assegurada permitiria a Vingegaard correr “com o coração mais leve, mais sereno, de consciência tranquila e com a liberdade de desafiar Tadej sem obsessão”. Nesta leitura, o Giro é simultaneamente oportunidade desportiva e ferramenta de gestão de pressão.

O risco da obrigação

Há, contudo, um aviso claro embutido nos elogios. Ao chegar a Itália como aquilo que Gatti chama de “a segunda força do ciclismo mundial”, Vingegaard coloca-se numa posição de expectativa.
“Só pode ganhar”, escreve o cronista, alertando que uma derrota desencadearia inevitavelmente comparações: se perdesse o Giro, surgiriam perguntas sobre como pretende bater Pogacar no Tour.
É uma moldura que eleva as apostas em vez de as baixar. Um campeão, insiste Gatti, “não vem ao Giro para treinar”. Pode não ter de dominar todos os dias, mas vem para ganhar.
Para Vingegaard, a decisão carrega assim um duplo significado. Alarga o calendário numa época já marcada por ajustes, mas em Itália é interpretada como uma escalada deliberada. Não uma cobertura contra a pressão, mas uma redefinição da mesma.
Se a aposta resulta será decidido na estrada rumo a Roma e, depois, em França. Para já, a reação da imprensa italiana é clara: isto não é uma aparição de passagem. É um movimento calculado na batalha contínua pelo topo do ciclismo masculino.
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