Na semana passada,
Patrick Lefevere falou sobre como gostaria de ter assinado com
Paul Seixas antes de este se tornar um grande nome internacional. Esta semana revela que a Soudal - Quick-Step esteve interessada em contratar
Juan Ayuso no final de 2024, mas as condições de transferência já não eram as mesmas do ano passado. Além disso, criticou o papel dos agentes no ciclismo atual e como a UAE Team Emirates - XRG poderá avançar para a contratação de Paul Seixas.
A notícia de que o francês interessa à equipa dos Emirados foi avançada pelo Het Laatste Nieuws no início do mês e antecipa-se uma longa batalha negocial, já que o contrato do corredor vigora até ao final de 2027. As equipas de topo procuram assegurar o jovem mais cobiçado do atual pelotão.
O antigo gestor da Soudal - Quick-Step guarda um ressentimento particular em relação à equipa dos Emirados e não o esconde. “É-me indiferente, desde que ele não acabe na UAE Team Emirates”.
“Perdoem a palavra, ou não, mas, enquanto diretor-desportivo, o Matxin está um bocado excitado de mais. Assinar Seixas quando já tens Pogacar é um exibicionismo”, escreveu Lefevere na sua coluna semanal no Het Nieuwsblad.
Lefevere quis Juan Ayuso
Isso não altera a posição da Emirates no dossiê. O talento que o jovem de 19 anos tem mostrado é quase um caso único na modalidade e qualquer equipa o quereria. A Decathlon CMA CGM tem a base e, potencialmente, os meios para o manter. Já a UAE é, muito provavelmente, a equipa com mais recursos e capacidade para fechar uma contratação deste calibre.
Isto apesar de já ter
Tadej Pogacar e de ser, atualmente, a formação mais forte e vencedora do pelotão. Trata-se de garantir o “próximo Pogacar”, como alguns lhe chamam.
“Podes ter mais dinheiro do que qualquer outra equipa do World Tour, mas isso traz responsabilidade e ética. Ele foi encostado no Saunier-Duval quando o trouxe para a Quick-Step como olheiro. O problema é que só me é grato em palavras, até eu pedir um favor”, continua Lefevere sobre Matxin, revelando outro alvo que interessava ao belga e que acabou por não se concretizar.
“Perguntei-lhe pelas condições de transferência do Ayuso quando ele estava num beco sem saída na UAE. Era inegociável; a cláusula de rescisão era de 28 milhões de euros. Menos de um ano depois, o Ayuso está na Lidl-Trek. É bem possível que tivessem os bolsos mais fundos do que eu, mas estou certo de que também não pagaram 28 milhões”, argumenta. “Um pouco mais de boa vontade para comigo teria ficado bem ao Matxin”.
Críticas aos agentes
Lefevere reconhece, porém, que a inflação de valores também se deve aos agentes dos corredores, que trabalham para maximizar as suas próprias comissões. “Jogam o jogo de forma muito mais agressiva do que antes. Agora são agências, com cinco ou seis representantes que querem todos marcar pontos e estão constantemente a ‘vender’ os seus corredores. Talvez os jornalistas procurem mais o exclusivo, mas tudo se vai filtrando para inflacionar o preço”.
“Disparar para todo o lado como o Clint Eastwood, por uns dólares a mais. Que agente ainda se preocupa com o planeamento de carreira do seu corredor? É terrível quando um miúdo de 19 anos acredita que pode ser o sucessor do Pogacar na UAE. O próprio Pogacar tem apenas 27 anos. Um agente que tenta vender essa história ao seu corredor merecia uma suspensão profissional”, concluiu Lefevere.