A estreia de
Alberto Dainese com a camisola da
Soudal - Quick-Step foi um processo de descoberta. O primeiro crash test do comboio de sprint no
Tour Down Under foi, por isso, por vezes bastante caótico. Em certa medida, os resultados falam por si: Dainese foi 23º, 38º e 30º. Longe do que tinha idealizado, mas a maior contrariedade estava guardada para o dia final da corrida.
“Aconteceu de tudo: o mais importante é que
bati num canguru”, contou à
Bici.Pro. Por mais caricato que soe, o italiano não ficou propriamente radiante quando o pelotão, lançado a toda a velocidade, o atingiu por trás, provocando uma queda violenta sobre o guiador. “Pensei que tinha partido alguma coisa, porque estive muito tempo sem conseguir respirar. Felizmente, foram só algumas contusões”.
O sprinter de 27 anos juntou-se à Quick-Step após duas épocas na Tudor Pro Cycling, tendo-se estreado como profissional na Picnic PostNL em 2020 (então Team Sunweb). Como terceiro sprinter da equipa, atrás das estrelas Tim Merlier e Paul Magnier, o italiano pretendia ganhar ritmo rapidamente para assegurar o seu espaço de oportunidades. Porém, a preparação da época não foi isenta de percalços:
Alberto Dainese venceu uma etapa da Volta a Espanha em 2023
“Não vinha de um grande inverno. Em dezembro, tive febre duas vezes. Mas esta corrida foi perfeita para ganhar forma”.
Comboio descarrilado
Houve, no total, quatro finais ao sprint no
Tour Down Under deste ano, mais do que o previsto. Contudo, dois exigiram alguma versatilidade. Não é exatamente a especialidade de Dainese.
“Houve sprints, mas não eram planos. Para mim, foram dois sprints turbulentos, nos quais eu e nós interpretámos mal, posicionámo-nos mal e tomámos más decisões táticas. Mas estamos a avançar. Serviu certamente para afinar as pernas”.
No cômputo geral, Dainese soa otimista quanto ao seu comboio, apesar do falhanço na estreia. “Desta vez descarrilou”, admitiu, explicando: “No primeiro sprint, segui o Fabio Van den Bossche, mas antes da última curva ele furou: a pressão baixou e, só nessa curva, perdi 30 posições. No segundo, perdemos o Casper Pedersen. Em suma, é um trabalho em curso!”
Ainda há mais
Espera Dainese mais uma tentativa na Austrália antes do regresso à Europa. O bloco de corridas encolheu, já que a
Surf Coast Classic deverá ser completamente cancelada devido ao risco de incêndios, mas a Cadel Evans Great Ocean Road Race pode resolver-se de várias formas, incluindo uma que favoreça Dainese.
“Antes de deixar a Austrália, vamos fazer mais duas corridas aqui”.
Dainese enumera depois os compromissos mais próximos: “Deverei fazer a Volta à Região de Múrcia e a
Volta à Sardenha, mas estou como reserva em muitas corridas, por isso vamos ver”.
Número três
Já foi dito, mas Dainese não será, em princípio, a primeira nem a segunda opção da Quick-Step ao planear objetivos. Mas como se entende o próprio Dainese com Merlier e Magnier?
“Com o Merlier, quase nada, porque
teve problemas no joelho, e eu também custei muito no estágio de janeiro depois de uma gripe”, admitiu, explicando que mal tiveram tempo para conversar.
Com o jovem francês, passou bastante tempo e o italiano só tem elogios: “Um fenómeno. Talento puro. É jovem, mas tem conhecimentos que não esperaríamos àquela idade. Ganha tanto em sprints planos como naqueles em que é preciso aguentar. É talvez o corredor mais parecido com Peter Sagan que já vi”, conclui.