“É mais difícil sofrer num contrarrelógio de 40km do que fazer uma subida de 40km”: Afonso Eulálio admite que não esperava manter a liderança do Giro após o contrarrelógio

Ciclismo
terça-feira, 19 maio 2026 a 20:36
afonso eulalio cri
Afonso Eulálio continua de rosa na Volta a Itália e nem o próprio esperava sair do contrarrelógio da 10ª etapa ainda na liderança da geral. O ciclista português admitiu, no entanto, que Jonas Vingegaard, principal favorito à vitória final, não esteve ao seu melhor nível no esforço individual entre Viareggio e Massa.
“Fiz o que nunca pensei fazer, que era acabar por manter a camisola rosa. Claro que sei e também tenho a noção de que, se calhar, o Vingegaard não esteve nos seus melhores dias”, reconheceu o corredor da Bahrain - Victorious, em declarações enviadas à agência Lusa pela assessoria da equipa.
Na jornada de 42 quilómetros contra o relógio, ganha pelo italiano Filippo Ganna (Netcompany INEOS) em 45:53, com o colega de equipa Thymen Arensman e Rémi Cavagna a acompanharem-no no pódio. Eulálio terminou na 41ª posição, a 4:57 do vencedor. O português perdeu 1.57 para Vingegaard, mas conseguiu defender a liderança da classificação geral, mantendo 27 segundos de vantagem sobre o dinamarquês da Team Visma | Lease a Bike. Vingegaard foi apenas 13º, a 3 minutos, perdendo tempo para ciclistas como o já citado Thymen Arensman (1:07), Derek Gee (45 segundos) e Ben O'Connor (19 segundos).
O resultado acabou por surpreender o próprio camisola rosa, que foi superado apenas por Alec Segaert e Damiano Caruso dentro da própria equipa, habituado a sentir dificuldades neste tipo de exercício. “Acho que nunca acreditei mesmo, porque os meus contrarrelógios são sempre muito maus. Termino quase sempre nas últimas posições. Pensava que não havia mesmo nada a fazer, era sofrer para, se calhar, manter a camisola branca [de melhor jovem] ou lutar pela geral, mas nunca pensei manter a camisola [rosa]”, confessou. Não só manteve a rosa, como defendeu a branca, com o rival mais próximo, agora Giulio Pellizzari, a 3:36.
Depois de concluir o contrarrelógio mais longo da carreira, o figueirense mostrou-se ainda incrédulo com o desfecho da etapa. “Não estava nada à espera” de continuar na liderança do Giro, admitiu, numa jornada particularmente exigente do ponto de vista físico.
Afonso Eulálio não venceu o contrarrelógio individual, mas é um dos vencedores do dia: a camisola rosa continua a ser sua.
Afonso Eulálio não venceu o contrarrelógio individual, mas é um dos vencedores do dia: a camisola rosa continua a ser sua.
“Vamos continuar a lutar por isso [maglia rosa]. O dia de hoje para mim foi pfffff... Penso que seja mais difícil sofrer num contrarrelógio de 40 quilómetros do que fazer uma subida de 40 quilómetros”, comparou.
Apesar da pressão crescente da Team Visma | Lease a Bike, Eulálio continua a liderar a classificação geral e segue também confortável na luta pela camisola branca. O neerlandês Thymen Arensman, segundo no contrarrelógio, ascendeu ao terceiro lugar da geral, já a 1.57 minutos do português.
O corredor da Bahrain - Victorious acredita que vestir a camisola rosa lhe tem dado motivação extra nestes dias de liderança. “Penso que [a camisola rosa] é o que me tem dado mais confiança e, digamos, que mais força”, afirmou.
Na quarta-feira, Eulálio voltará a alinhar de rosa na ligação de 195 quilómetros entre Porcari e Chiavari, um dia ondulado e que deverá ver a vitória cair para a fuga, prolongando um percurso histórico para o ciclismo português. Desde que assumiu a liderança após a quinta etapa, tornou-se já o segundo corredor nacional com mais dias de camisola rosa, apenas atrás de João Almeida, que liderou o Giro durante 15 jornadas em 2020.
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