"É um ajuste de contas. É ver se fecho algo que deixei aberto o ano passado": Afonso Eulálio antes da Volta a Itália 2026

Ciclismo
quarta-feira, 06 maio 2026 a 22:10
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De regresso à Volta a Itália, Afonso Eulálio apresenta-se com ideias claras e um objetivo assumido: voltar a deixar marca na corrida italiana e, desta vez, levá-la até ao fim. O corredor da Bahrain - Victorious encara a participação como uma oportunidade para resolver o que ficou por concluir na edição anterior.
"É um ajuste de contas. É ver se fecho algo que deixei aberto o ano passado", disse à agência Lusa, já a caminho de Nessebar, na Bulgária, local onde arrancará a 109ª edição da prova, com uma etapa de 147km, favorável aos sprinters.
Na estreia, em 2025, o jovem figueirense chegou a destacar-se ao passar isolado no Mortirolo, uma das subidas mais exigentes e simbólicas da corrida, numa etapa que terminaria com a vitória do então camisola rosa, Isaac del Toro. No entanto, acabaria por abandonar dois dias depois, já na 19ª etapa, quando o final estava ao alcance.
"Tínhamos decidido com a equipa já no início do ano fazer esta grande Volta, também um pouco por isso, para voltar e ver se este ano, pelo menos, termino. [...] Como [a desistência] foi já perto do fim, era quase só mais uma etapa dura e depois a etapa de Roma para festejar... acabou por não ser o ideal não acabar, sendo tão perto do fim", recordou.
A preparar-se para a segunda experiência numa corrida de três semanas, o ciclista de 24 anos garante que chega com outra base de trabalho e sem a pressão que poderia ser expectável.
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Eulálio em ação na Volta à Catalunha
"Este ano acabámos por fazer as coisas totalmente diferentes, acabámos por nos focar bastante no Giro, por fazer uma preparação perfeita: treinar, correr quando tínhamos que correr. O ano passado foi um bocado, digamos, como o Totoloto ou um sorteio: era ir ali, depois ir acolá, acabei por não fazer altitude", explicou.
Confiante no trabalho realizado, Eulálio acredita que pode apresentar-se a um nível competitivo, ainda que prefira não traçar metas rígidas à partida. A ideia passa por ler a corrida e agir em função das oportunidades.
"Mas, para mim, vai ser desligar completamente da corrida e ir por uma etapa. Decidi não escolher nenhuma etapa mesmo. Vamos ver sempre como é que está a corrida, ler como é que está a corrida e ler também como é que eu vou evoluindo ao longo do Giro e basicamente decidir na manhã antes ou no dia antes", revelou.
Uma abordagem diferente da de outros corredores, que definem objetivos específicos antes do início, mas que o português considera mais ajustada ao tipo de competição.
"Dependem das outras equipas, dependem das minhas pernas, como se está e como não está", sublinhou.
Apesar da liberdade para procurar resultados individuais, o papel dentro da equipa mantém-se claro, sobretudo no apoio a Santiago Buitrago, chefe de fila da formação e com quem tem uma grande cumplicidade fora da bicicleta. Em competição, esteve ao lado do colombiano na Volta à Catalunha, amplamente considerado como o grande teste para a Volta a Itália, onde este terminou em 11º na geral, partilharam também, obviamente, o estágio em altitude que antecedeu a Corsa Rosa.
"às vezes" terá de estar ao lado de Santiago Buitrago, o líder da Bahrain Victorious, nomeadamente "quando não for para a fuga ou não tentar fazer algo", definindo essa missão como "normal dentro da equipa".
No que toca à luta pela geral, Eulálio não tem dúvidas quanto ao principal candidato à vitória final, apontando Jonas Vingegaard como o homem a bater e a juntar-se ao restrito clube de vencedores das três grandes voltas, numa edição que termina em Roma a 31 de maio e que terá 7 chegadas em alto.
"Foi pena o João Almeida ter ficado de fora", lamentou, aludindo ao facto do melhor voltista português da atualidade falhar a corrida por não ter recuperado de problemas que o afetam desde o final da Volta ao Algarve, antes de revelar o seu cenário ideal para o pódio: Vingegaard, Buitrago e Giulio Pellizzari.
Ainda sem um estudo aprofundado do percurso, o corredor português identifica desde já um ponto-chave na corrida: o contrarrelógio da 10ª etapa, com 42 quilómetros planos, que poderá marcar diferenças importantes na classificação geral, prejudicando corredores como o próprio Eulálio e também Buitrago.
Depois de ter sido o único representante nacional na sua estreia em Grandes Voltas, Eulálio encontra agora companhia portuguesa no pelotão, algo que encara com agrado.
"O Morgado é jovem como eu e também um pouco ofensivo, pode ser que seja engraçado estarmos os dois um dia numa fuga. E, depois, ter o experiente Nelson, o capitão... Vai ser bom ter os dois aqui comigo", concluiu, referindo-se a António Morgado e Nélson Oliveira.
As ambições são elevadas, a qualidade é muita, vai com tudo Afonso!
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