“Tadej Pogacar é o melhor de sempre. Mas já o derrotei e posso fazê-lo outra vez” - Jonas Vingegaard vê a Volta a Itália como chave para a desforra na Volta a França

Ciclismo
quarta-feira, 06 maio 2026 a 18:00
TadejPogacar_JonasVingegaard
Jonas Vingegaard não fez qualquer tentativa de desvalorizar a dimensão dos feitos de Tadej Pogacar nem o desafio que o espera este verão na Volta a França.
Mas, na antecâmara da sua estreia na Volta a Itália, o dinamarquês também recordou que nenhum corredor do ciclismo moderno incomodou Pogacar de forma tão consistente durante três semanas como ele.
“Tadej, talvez, seja o melhor de sempre”, disse Vingegaard à La Gazzetta dello Sport. “Mas já o derrotei e confio que posso voltar a fazê-lo”.
É uma declaração que, em 2026, soa de forma diferente do que soaria há doze meses. Pogacar continua campeão em título da Volta a França e domina largas fatias da modalidade, mas Vingegaard chega ao Giro convicto de que este novo desafio o pode empurrar de novo para o seu nível mais alto.

Giro traz motivação fresca

Jonas Vingegaard
Vingegaard pode somar a 2ª grande consecutiva, depois da vitória na Vuelta 2025
Durante anos, a preparação de Vingegaard seguiu um padrão conhecido, centrado na Volta a França. Em 2026, mudou deliberadamente essa abordagem.
“Durante vários anos o meu programa de corridas foi muito semelhante. Senti necessidade de mudar”, explicou. “O Giro é um grande objetivo e estou convencido de que, através destas semanas, também chegarei ao Tour no topo. Mas, neste momento, o meu foco está apenas na camisola rosa”.
Essa mudança ajuda a explicar tanto a sua abordagem ao Giro como a intensidade com que a Team Visma | Lease a Bike está a atacar a corrida. Não se trata de um calendário reduzido nem de um bloco de preparação disfarçado de presença numa Grande Volta. Vingegaard assumiu o Giro como objetivo real e parte de uma tentativa mais ampla de recuperar a Maillot Jaune no verão.
Se vencer em Roma, tornar-se-á apenas o oitavo corredor da história a completar o trio de Grandes Voltas, juntando o Giro às suas duas vitórias na Volta a França e ao título na Volta a Espanha. “Conquistar esta tripla coroa é um objetivo para mim… e é isso”, resumiu Vingegaard. “Significa escrever um pedaço de história”.

Respeito por Pogacar, crença em si mesmo

A relação entre Vingegaard e Pogacar definiu o panorama moderno das Grandes Voltas. Nas últimas cinco Voltas a França, os dois terminaram sempre em primeiro e segundo, com Pogacar a vencer em 2021, 2024 e 2025, enquanto Vingegaard somou triunfos consecutivos em 2022 e 2023.
O domínio recente de Pogacar apenas reforçou a perceção de que o esloveno está isolado no topo da modalidade, algo que o próprio Vingegaard não contesta. Ainda assim, as suas palavras trazem uma confiança serena, assente na experiência e não na bravata. Vingegaard continua a ser o único corredor desta geração a derrotar repetidamente Pogacar ao longo de uma Volta a França completa.
Para o dinamarquês, essa crença é reforçada pela sensação de que está finalmente a ultrapassar os efeitos persistentes da grave queda na Volta ao País Basco há dois anos.

“Temi o pior”

Questionado se já se sente de novo no seu melhor fisicamente, Vingegaard admitiu que a recuperação foi bem mais longa do que muitos imaginaram. “Sim, não foi fácil voltar depois de algo que me fez temer o pior e até recear nunca mais voltar a pegar numa bicicleta”, disse. “Levou tempo. Dois anos, sim”.
O lado emocional dessa recuperação também surgiu com clareza na entrevista. “Se me pergunta onde encontrei motivação, foi no prazer que sinto ao praticar este desporto”, explicou o dinamarquês. “Esta é uma fase em que comecei seriamente a olhar em frente com grande confiança, com a esperança de que posso tornar-me ainda melhor”.
Isso pode ser o mais significativo para os próximos meses. O Giro não é apenas mais uma corrida no calendário de Vingegaard. É a corrida que ele acredita tê-lo reacendido.

Espera-se um Giro imprevisível

Antes de o pensamento se virar totalmente para julho, porém, a atenção de Vingegaard permanece fixa em Itália e no que espera ser um percurso de Giro perigoso e imprevisível. “Considero-o mais imprevisível”, avaliou, comparando o Giro ao Tour e à Vuelta. “É preciso estar pronto todos os dias porque as surpresas, mais do que noutros lados, podem surgir em qualquer lugar”.
O dinamarquês destacou as etapas iniciais na Bulgária e exames-chave de montanha como o Blockhaus, o Corno alle Scale e as jornadas nas Dolomitas como momentos capazes de criar grandes diferenças. “Na Bulgária teremos de estar atentos ao vento”, explicou. “Em certas ocasiões, podem abrir-se diferenças de tempo muito grandes”.
Esses comentários surgem no contexto de um pelotão do Giro que foi sendo enfraquecido nos dias que antecederam a partida. João Almeida, visto como um dos principais adversários esperados de Vingegaard, já desistiu por doença. Mikel Landa ficou de fora após a queda na Volta ao País Basco, enquanto o antigo vencedor da Maglia Rosa Richard Carapaz também confirmou a ausência depois de uma recuperação cirúrgica mais demorada.
Essa sequência de baixas apenas reforçou a perceção de que Vingegaard chega ao Giro como o grande favorito à Maglia Rosa. Mas o próprio dinamarquês rejeitou a ideia de que a corrida carece de rivais perigosos. “Há muitos”, disse quando questionado sobre os maiores adversários. “Adam Yates, Pellizzari, Bernal, O’Connor, Gall. Vou precisar da minha melhor versão para ganhar”.
O Giro pode agora parecer mais aberto em torno de Vingegaard do que se previa, mas, da sua perspetiva, a corrida continua a exigir foco total antes de o pensamento se virar por completo para um novo duelo com Pogacar em julho.
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