Lennart Jasch mal conseguia processar o que acabara de fazer.
Na 4ª etapa da Volta aos Alpes, o alemão da equipa de desenvolvimento da Tudor assinou uma exibição soberba em solitário para conquistar o primeiro triunfo como profissional, resistindo aos perseguidores após um ataque de longa distância na montanha.
Após a meta, Lennart Jasch admitiu que o dia começara como outro qualquer, antes de se transformar rapidamente em algo extraordinário. “Foi simplesmente um dia incrível. Quando acordei esta manhã, pensei que seria apenas um dia normal, mas desde o início o ritmo foi altíssimo. Senti-me muito bem e, na subida, olhava para os números de potência e pensava que era uma loucura. Mas as sensações eram incríveis”,
disse o corredor da Tudor Pro Cycling Team ao Cycling Pro Net.Do instinto à convicção
O momento decisivo chegou nas subidas, quando Jasch percebeu não só que conseguia seguir, como podia ser o mais forte do grupo. “Decidi tentar e acreditei até à meta que podia conseguir”, afirmou. “Rapidamente senti que era o mais forte do grupo, por isso meti tudo o que tinha nos ataques. Resultou e agora estou super feliz. Ainda nem consigo acreditar no que aconteceu”.
Essa crença não foi agressividade cega. Jasch revelou que o movimento inicial foi em parte um teste para avaliar as pernas dos rivais antes de se comprometer a fundo. “Sim, um pouco”, explicou, quando questionado se a primeira aceleração foi tática. “Sentia-me bem, mas ir sozinho com 45 quilómetros para o fim é muito duro. Quis primeiro testar toda a gente. Quando voltaram, vi que era o mais forte e isso deu-me confiança”.
A partir daí, a mentalidade mudou. “Depois disso, soube que podia ganhar hoje. Só tinha de acreditar e dar tudo, acontecesse o que acontecesse”.
Dor, dúvida e o último impulso
Mesmo com essa confiança, os quilómetros finais estiveram longe de ser simples. Com a diferença a encolher, Jasch admitiu que surgiram dúvidas. “Antes da última curva estava mesmo a duvidar, tinha muitas dores. Tentava manter-me positivo e ouvia no rádio que eles estavam cada vez mais perto”.
A incerteza durou quase até à meta. “Começas a perguntar-te se te vão alcançar ou não”, indicou. “Mas cheguei à última curva e faltavam apenas 400 metros. Olhei para trás, não vi ninguém e fui a fundo até à linha”.
Uma revelação além das expectativas
O resultado representa um salto importante para Jasch, que só transitou para o ciclismo após uma carreira na patinagem de velocidade e continua a competir a nível de desenvolvimento. Numa etapa moldada por subidas incessantes e corrida agressiva, não só resistiu como dominou o movimento decisivo.
Para já, a dimensão do que alcançou ainda está a ser assimilada. Mas num dia que começou como “apenas mais um dia normal”, Jasch apresentou-se na montanha da forma mais enfática possível.