Rúben Pereira aponta ambição da Anicolor/Campicarn e vê nova Volta a Portugal como salto competitivo

Ciclismo
quinta-feira, 23 abril 2026 a 9:33
Anicolor
Rúben Pereira, diretor desportivo da Anicolor/Campicarn destaca o crescimento da equipa, lamenta as oportunidades perdidas e acredita que mudanças na Grandíssima podem elevar o ciclismo nacional
Rúben Pereira traçou um retrato positivo da temporada da Anicolor / Campicarn, sublinhando os resultados já alcançados em 2026, mas também os contratempos que, no seu entender, impediram a formação portuguesa de atingir números ainda mais expressivos.
Em declarações ao TopCycling, o diretor desportivo analisou o rendimento coletivo, falou da experiência internacional da equipa e comentou ainda as novidades anunciadas para a próxima Volta a Portugal.
A estrutura sediada em Águeda voltou a afirmar-se como uma das referências do pelotão nacional. A vitória na Prova de Abertura, três triunfos parciais na Volta ao Alentejo e exibições consistentes na Volta ao Algarve e no O Gran Camiño reforçaram essa imagem. Ainda assim, Ruben Pereira considera que o balanço podia ser ainda mais robusto não fossem alguns episódios de azar.
No caso da Volta ao Alentejo, Artem Nych viu duas avarias mecânicas condicionarem a luta pela geral. O responsável da equipa não escondeu a frustração pelo que aconteceu numa corrida onde acreditava seriamente no triunfo.
“Saímos um bocadinho dececionados connosco, por uma infelicidade, na Volta ao Alentejo, porque sabíamos que o Artem, nas garantias que dava para aquela corrida… O Artem é um matador como ciclista. Não estou a tirar o mérito do Tiago Antunes, que é um grandíssimo ciclista. Mas tenho de reconhecer que o Artem, sofreu ali um azar bastante grande no dia decisivo”.
Também na Volta ao Algarve a preparação da equipa sofreu um revés inesperado. Segundo explicou Rúben Pereira, Santi Mesa foi atropelado poucos dias antes da prova, incidente que acabou por comprometer o material preparado especificamente para o ciclista espanhol.
Apesar desses episódios, a Anicolor / Campicarn manteve-se competitiva e mostrou profundidade no plantel, algo que o diretor desportivo valoriza num contexto nacional cada vez mais exigente. Para o responsável, dominar internamente está longe de ser tarefa simples, sobretudo perante a evolução global do nível competitivo em Portugal.

O Gran Camiño deixou sinais fortes e algumas lições

A presença na prova galega voltou a servir de montra internacional para a equipa portuguesa. Artem Nych fechou dentro do top 10 da classificação geral e Rafael Reis vestiu a camisola amarela depois de ser segundo no prólogo inaugural.
Mesmo assim, Rúben Pereira entende que houve margem para mais. O caso de Nych foi particularmente marcante, depois de um erro no contrarrelógio lhe custar tempo precioso.
Segundo o diretor desportivo, o russo enganou-se no percurso e perdeu cerca de 40 segundos, diferença que teria alterado substancialmente a classificação final.
No caso de Rafael Reis, o próprio responsável assumiu responsabilidades relacionadas com a preparação técnica para o esforço individual.
“O Rafa fez segundo no contrarrelógio. É um grande resultado àquele nível. Mas o nosso trabalho de casa para aquele dia também não foi bem feito. Não foi o Rafa que falhou. Fui eu, enquanto responsável da equipa. Tivemos algum trabalho específico em relação ao contrarrelógio. Fizemos alguns investimentos", para continuar.
"E talvez um fato de contrarrelógio, como o temos usado em dias específicos (…) Talvez, se nós tivéssemos usado esse fato, no dia do prólogo do Gran Camiño, não digo que pudéssemos ter ganho, mas ia ser perto. Porque a diferença que o fato poderia ter feito naquele dia teria sido bastante importante”, analisou.
Ainda assim, a participação foi considerada valiosa. Competir diante de equipas do WorldTour e ProTeam, em contexto internacional, continua a ser visto como essencial para o crescimento desportivo e institucional da estrutura.
Rúben Pereira lembrou também a disparidade financeira entre realidades competitivas distintas, comparando o orçamento de uma equipa continental com os recursos das grandes potências do ciclismo mundial. Mesmo perante esse cenário, a Anicolor / Campicarn conseguiu discutir etapas e até liderar a classificação coletiva durante a corrida.

Volta a Portugal no centro do projeto

Se existe uma corrida que continua a mobilizar todas as atenções da equipa, essa corrida é a Volta a Portugal. Depois de conquistar as duas últimas edições, a formação portuguesa prepara-se para defender estatuto numa edição que promete mudanças significativas.
“Enquanto equipa, queremos o melhor para o ciclismo. Estamos muito contentes com as últimas notícias, o Ezequiel Mosquera é alguém que conhece muito bem o ciclismo nacional, e tem já uma vasta experiência em organizar eventos", disse.
"Eu acho que pode fazer um bom trabalho com a Volta a Portugal, pelo menos os sinais já são positivos. O facto da transmissão da Eurosport, o facto de haver possibilidade das equipas WorldTour estarem presentes… Acho que só vai elevar a nossa Volta a Portugal, e até mesmo dar prestígio a quem ganha a volta a Portugal".
"Porque uma coisa é nós ganharmos no nosso ciclismo interno, e outra coisa é nós ganharmos a Volta a Portugal com o pelotão internacional”, confidencia.
A possibilidade de maior exposição mediática e de um pelotão internacional mais forte é vista como oportunidade clara para valorizar a corrida e aumentar o peso desportivo da vitória final.

Ambição sem excesso de euforia

Apesar do histórico recente favorável, Rúben Pereira recusa qualquer sentimento de facilismo. O diretor desportivo da equipa de Águeda relembra que o nível do pelotão nacional está em crescimento e que nenhuma equipa parte isolada à partida para discutir a classificação geral da Volta a Portugal.
A ambição de voltar a vencer existe, mas o discurso passa por uma abordagem prudente, focada no trabalho diário e na gestão da pressão ao longo das etapas da prova. Numa corrida longa e imprevisível, a Anicolor / Campicarn sabe que são os detalhes que poderão decidir tudo.
Depois de um início de época sólido e com margem para evoluir, a equipa portuguesa entra no restante calendário com a confiança reforçada e com a Volta a Portugal novamente definida como principal alvo do ano.

Alinhamento da Amicolor / Campicarn para o GP O Jogo 2026

Artem Nych
Rafael Reis
Rúben Fernandez
Louis Ferreira
Carson Miles
Enzo Leijnse
Alexis Guerin
Andoni Abetxuko
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