A hipótese de
Tadej Pogacar alinhar finalmente na Austrália nunca esteve longe do horizonte no
Tour Down Under, mas esta semana ganhou um raro impulso.
Não por causa de uma startlist ou de uma mudança de calendário, mas porque alguém do círculo próximo de Pogacar está no terreno, a acompanhar a corrida em primeira mão.
Para os organizadores, isso por si só já é progresso. Pogacar mantém o foco no objetivo de longo prazo da Volta a França, mas a presença do seu agente de longa data, Alex Carera, na prova de abertura do WorldTour foi recebida como um passo significativo numa perseguição que tem permanecido frustrantemente fora de alcance.
O diretor de corrida Stuart O'Grady admitiu que “não estava propriamente à espera” ao confirmar a visita de Carera, mas descreveu-a como “um excelente indício” e “um sinal positivo” para as ambições de longo prazo do evento,
em declarações recolhidas pelo Canberra Times.Porque esta visita importa
O
Tour Down Under tenta contar com Pogacar há várias épocas, mas o obstáculo raramente tem sido a falta de interesse. O'Grady revelou que as conversas com a
UAE Team Emirates - XRG já estiveram perto de um avanço, apenas para o programa, cuidadosamente gerido, rumo à Volta a França do esloveno prevalecer.
Segundo O'Grady, Pogacar esteve “super motivado” no passado, com negociações em fase adiantada. No entanto, o apelo de manter um calendário testado em ano de Volta a França foi decisivo. “Estiveram tão perto de o enviar”, revelou O'Grady, referindo conversas com o chefe de equipa
Mauro Gianetti num seminário do WorldTour em Genebra, antes de acrescentar que a proteção das ambições de Pogacar no Tour acabou por falar mais alto.
Esse contexto é crucial. Não se trata de a Austrália não convencer, mas de um choque entre timing e prioridades face às exigências colocadas ao corredor mais dominante do pelotão.
Uma corrida que se vende a si própria em 2026
A visita de Carera coincide com uma edição de 2026 do
Tour Down Under disputada sob condições extremas. O calor intenso já obrigou a adaptações de percurso, sublinhando os desafios e a identidade única de correr no Sul da Austrália.
Para O'Grady, essa experiência no local é precisamente o que torna difícil vender o evento à distância. “É difícil perceber o que é o
Tour Down Under até se estar aqui”, explicou, apontando para comentários recentes de Michal Kwiatkowski, que admitiu ter-se questionado sobre porque não competiu ali mais cedo na carreira.
O argumento para Pogacar não assenta apenas no prestígio. O'Grady descreveu a corrida como uma “plataforma de treino perfeita”, com condições consistentes e um ambiente controlado no arranque da época. Essa lógica agrada há muito a corredores numa fase mais adiantada da carreira, e não é coincidência que os organizadores enquadrem cada vez mais a potencial presença de Pogacar como algo que poderá acontecer mais tarde, e não de imediato.
Olhar para lá do futuro imediato
O'Grady evitou apresentar a presença de Carera como um momento de rutura, situando-a antes numa linha temporal mais longa. Chegou a especular que um cenário futuro, no qual Pogacar já tenha assegurado um quinto título da Volta a França, poderia finalmente abrir a porta a uma estreia australiana.
“Quem sabe”, disse, sugerindo que, atingido esse marco, a conversa pode mudar. Até lá, a estratégia mantém-se. “Tudo o que podemos fazer é apresentar a melhor proposta possível”, acrescentou O'Grady, deixando claro que a corrida continuará a posicionar-se como opção atrativa sempre que o timing alinhar.
Por agora, o
Tour Down Under mantém-se em modo de espera. Mas com o representante de Pogacar a percorrer a corrida, a ver o terreno, o público e os desafios de perto, os organizadores sentem que já levaram a discussão para lá do abstrato. Não é uma confirmação, nem sequer uma promessa, mas numa perseguição que tantas vezes estagnou antes de arrancar, é suficiente para manter a esperança viva.