“Já não se tratam de resultados” Diretor desportivo da Movistar valoriza a nova faceta de Nairo Quintana como “capitão de estrada”

Ciclismo
sábado, 14 fevereiro 2026 a 12:00
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Quem acompanhou a Volta a Omã viu-o na última semana: Nairo Quintana voltou a exibir classe nas duas etapas de montanha, após quase dois anos sem resultados de relevo. Contudo, segundo o diretor desportivo da Movistar Team, Maximilian Sciandri, isso não significa que o colombiano volte a discutir vitórias com regularidade.
No Eastern Mountain, Quintana atacou e chegou a parecer a caminho do triunfo. No último dia, rumo a Green Mountain, aguentou até ao último quilómetro ao lado de Christian Scaroni e Adam Yates. “Por momentos começámos a sonhar”, admite Sciandri ao WielerFlits, acrescentando que “também não foi propriamente uma surpresa. O Nairo continua a ser o Nairo. É e será sempre um verdadeiro killer. A idade pesa, mas ele continua a procurar oportunidades.”
O técnico reconhece que “é menos consistente em termos de resultados”, mas insiste que “o velho Nairo não desapareceu”. Recorda que “nos seus bons dias continua muito forte”, citando a etapa do Giro 2024 a terminar em Cortina, onde “Tadej Pogacar só o superou mesmo junto à meta”.
Assinala ainda que “no ano passado esteve lá em determinados momentos”, reconhecendo que “ganhar está cada vez mais difícil, mas temos de continuar a tentar tirar o melhor dele”.
Sciandri deixa claro que o vencedor da Volta a Itália 2014 e da Volta a Espanha 2016 já não está na equipa para somar vitórias. “A sua consistência agora está noutros papéis: supervisionar, orientar, ajudar, falar e ser mentor”, afirma.
Segundo o diretor desportivo, “o seu papel mudou: já não é sobre resultados, mas sobre passar experiência aos jovens. Foi por isso que o quisemos de volta. O Nairo é uma pessoa fantástica para ter na equipa.”

Mentor dos jovens e voz na estrada

Esse lado menos visível do colombiano destaca-se no grupo. “Alguns corredores sabem dar, outros não têm isso na sua natureza. O Nairo gosta de partilhar a sua experiência”, sublinha Sciandri, apontando ao seu trabalho em Omã: “Passou a semana inteira ao lado do jovem colombiano Diego Pescador. É bonito de ver. Conheci grandes corredores que não têm essa capacidade.”
O colombiano é também uma presença assídua no rádio da equipa. “Ouvimo-lo muito nas comunicações internas. Guia a equipa nas etapas, muitas vezes ao lado de Iván García Cortina”, explica o técnico. Embora admita que “não diz coisas revolucionárias”, reforça que “quando se fizeram poucas corridas por etapas, até a informação mais simples pode ser chave. Os detalhes fazem a diferença.”
Nairo Quintana mantém-se peça-chave na Movistar Team
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Sciandri quis também salientar o respeito que Quintana impõe dentro da equipa, apesar da polémica em torno da deteção de tramadol em análises sanguíneas durante o Tour de 2022, que o manteve um ano fora de competição. “Acreditámos sempre na sua inocência”, afirma com firmeza. “Toda a gente o adora e confia nele. Eu e os corredores temos um respeito imenso por ele.”
O técnico reconhece que esse período foi duro. “Se já é complicado para um diretor ou um soigneur regressar após um ano parado, para um corredor é muito mais. Mentalmente, é preciso olhar em frente e voltar ao nível. O Nairo fê-lo muito bem. Que agora se canse mais e tenha menos resultados deve-se à idade.”

Motivação intacta e olhar no futuro

Apesar de se esperar que esta seja a sua última temporada, a motivação de Quintana mantém-se intacta. “Todas as noites é o primeiro a sentar-se à mesa. Controla tudo como uma câmara a 360 graus. É como um radar ligado o dia todo”, descreve Sciandri, que acrescenta: “Não tenho receio de que esteja a prolongar demasiado a carreira, embora a decisão final seja dele. Estamos felizes por tê-lo.”
O diretor desportivo não descarta que o colombiano possa ajudar a nova contratação da equipa, Cian Uijtdebroeks, nas suas ambições em Grandes Voltas. “Talvez sim. O Cian chegou tarde e ainda não tiveram muito contacto, mas creio que o Nairo e o resto se encaixam muito bem com ele. Num mundo dominado por números, PDFs e folhas de cálculo, continuamos a ter um lado humano.”
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