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Team Visma | Lease a Bike apresentou, de forma direta, os seus planos desportivos para 2026, uma campanha que a própria equipa define como estratégica, ambiciosa e cuidadosamente construída em torno dos seus líderes de referência. O projeto mantém uma estrutura clara: domínio nas Grandes Voltas, protagonismo nas maiores clássicas do calendário e continuidade na promoção de talento nas equipas masculina e feminina.
Jonas Vingegaard volta a ser a figura central, com Wout van Aert e Matteo Jorgenson como seus principais escudeiros.
Jonas Vingegaard em busca de uma trilogia histórica
O foco principal do projeto masculino recai novamente em
Jonas Vingegaard, que enfrentará uma campanha de 2026 diferente de todas as anteriores. Depois de vencer a
Volta a Espanha e ser segundo na
Volta a França, o dinamarquês tomou uma decisão-chave: estrear-se na
Volta a Itália com o objetivo de completar uma trilogia única nas Grandes Voltas.
“Claro que isso pesou na minha decisão”,
explica Vingegaard. “Já venci em França e em Espanha. Agora quero fazer o mesmo em Itália”.
Aos 29 anos, Vingegaard reconhece que a última época foi sólida, ainda que não perfeita: “Foi um bom ano, mas não excecional”, admite. “Já ganhei o Tour duas vezes. Para mim, uma temporada verdadeiramente conseguida continua a depender de vencer o Tour. Celebrar outra vitória em Paris é algo com que continuo a sonhar”.
Vingegaard correrá o Giro pela primeira vez na carreira
O seu calendário abre no UAE Tour, segue para a Volta à Catalunha e aponta a
Volta a Itália como primeiro grande objetivo, antes do grande desafio de verão: a
Volta a França, que em 2026 arrancará com um contrarrelógio por equipas em Barcelona.
“Já andava a pensar em correr o Giro há algum tempo”, confessa Vingegaard. “É uma das maiores corridas do calendário e também uma que nunca fiz. Quero muito viver essa experiência e este parece o momento certo. Vencer a Vuelta no outono passado só me dá mais motivação para ir com tudo pela vitória também em Itália. Gostava de acrescentar a camisola rosa à minha coleção”.
“Nos últimos cinco anos, a minha preparação para o Tour foi em grande parte igual. Desta vez escolhemos algo novo. A organização desenhou um excelente percurso para o Giro. Talvez não tão exigente como nos últimos anos, o que torna a combinação Giro–Tour uma opção favorável para nós”.
Sobre a Grande Boucle, Vingegaard é claro: “Vencê-la pela terceira vez seria incrível. Claro que será difícil, embora possa ser mais emocionante do que nas duas últimas edições”, refere o dinamarquês, aludindo ao traçado. “É diferente dos anos recentes. As diferenças podem ser menores. Ainda assim, teremos de estar afiados desde logo no contrarrelógio por equipas em Barcelona. É uma disciplina em que investimos muito tempo enquanto equipa e será uma forma especial de começar a corrida”.
Wout van Aert, ambição total em todas as frentes
O outro grande pilar da equipa é Wout van Aert, que entra na sua oitava época de amarelo e preto. O belga volta a ser um dos corredores mais versáteis e visíveis do pelotão.
“Na primavera, quero estar presente desde a Omloop Het Nieuwsblad até Roubaix. Quero mostrar-me em todo o lado e agarrar cada oportunidade que surgir”, diz Van Aert.
Em 2026, regressa a duas corridas que mais o motivam: Strade Bianche e Milan-Sanremo. “Depois da minha vitória em Siena durante o Giro do ano passado, percebi que a Strade Bianche, apesar das mudanças no percurso, continua a adaptar-se muito bem às minhas características. Considero a Strade Bianche e a Milan-Sanremo entre as corridas mais bonitas da época, por isso não quero faltar-lhes em 2026”.
Os Monumentos - Volta à Flandres, Paris–Roubaix e Milan-Sanremo - mantêm-se como objetivos prioritários, mas o verão também será decisivo. Van Aert aponta à
Volta a França, onde vê hipóteses claras de vitórias em etapa, e depois à
Volta a Espanha.
“Ainda tenho assuntos por resolver na Vuelta”, sorri Van Aert. “A saída em 2024 foi dolorosa, mas voltarei com muita motivação. Enquanto equipa, podemos certamente fazer algo especial lá. Além disso, o Campeonato do Mundo no Canadá está na minha cabeça há muito tempo. Vejo a Vuelta como a preparação ideal para estar no meu melhor nível nessa prova”.
Acima de tudo, Van Aert quer uma época sem sobressaltos. “Vencer um Monumento em 2026 seria a cereja no topo do bolo da minha carreira, mas, sobretudo, espero poder fazer uma temporada consistente. Os últimos anos tiveram altos e baixos, por isso o meu maior sonho é simplesmente uma época tranquila. Se isso acontecer, os resultados surgirão naturalmente”, conclui.
Jorgenson, Brennan, Barré, Piganzoli
Matteo Jorgenson entra em 2026 com ambições renovadas e um calendário afinado para dar mais um salto dentro da
Team Visma | Lease a Bike. Aos 26 anos, o norte-americano afirmou-se como peça-chave nas clássicas e nas Grandes Voltas nas suas duas primeiras temporadas na equipa e procura agora novos estímulos. “Tenho muita energia para começar a nova época”, começa Jorgenson. “Em conjunto com a equipa, ajustei ligeiramente o meu calendário face às minhas duas primeiras temporadas aqui. Defini novos objetivos para mim e a equipa apoia-me totalmente nisso”.
A grande mudança chega na primavera, com um claro desvio para as clássicas das Ardenas, onde a Liège–Bastogne–Liège surge como um dos seus principais alvos: “Idealmente, gostaria de fazer todas as clássicas da primavera, mas se queres mesmo render nas Ardenas tens de fazer escolhas. Um dos meus grandes objetivos na primavera é a Liège–Bastogne–Liège, uma corrida que me entusiasma imenso. Sinto que este tipo de prova, com subidas mais longas, me favorece. Estou a colocar a fasquia alta, e isso transforma tudo num grande desafio”.
Jorgenson vai mesmo abdicar do Paris–Nice, corrida que venceu nas últimas duas edições, para se focar no bloco italiano: Strade Bianche, Tirreno–Adriático e Milan-Sanremo, antes de virar atenções para a
Volta a França, o seu grande objetivo do ano. “O Tour é sempre o ponto alto da minha época”, assume, apontando chegar no auge para discutir o seu resultado e apoiar
Jonas Vingegaard, depois de passar pela Volta à Suíça com liberdade para lutar pela geral.
Matteo Jorgenson, peça-chave da Visma na temporada de 2026
Ao seu lado, a equipa continuará a promover perfis em ascensão como Matthew Brennan, Davide Piganzoli e Louis Barré, três corredores que personificam o futuro imediato do projeto. Brennan vai seguir a evoluir no terreno das clássicas e nas Grandes Voltas, com um calendário que mistura provas de um dia de topo e a sua primeira experiência completa numa corrida de três semanas, etapa crucial no desenvolvimento.
Piganzoli, por seu turno, continuará a ganhar protagonismo nas corridas por etapas e em cenários de alta montanha, com a
Volta a Itália como um dos grandes objetivos da sua época, apoiado por uma estrutura que o próprio descreve como “muito bem organizada e com material de topo”.
Quanto a Barré, o seu papel estará intimamente ligado ao trabalho para os líderes nas clássicas das Ardenas e em compromissos de prestígio como a Il Lombardia, função que abraça com entusiasmo. Trabalhar para corredores como Wout van Aert e
Jonas Vingegaard faz parte do seu crescimento numa equipa que, em 2026, combina ambição imediata com uma aposta clara no talento emergente.
Calendário dos líderes da Visma | Lease a Bike – época 2026
| Corredor | Principais objetivos 2026 |
| Jonas Vingegaard | UAE Tour, Volta à Catalunha, Volta a Itália, Volta a França |
| Wout van Aert | Omloop Het Nieuwsblad, Strade Bianche, Milan-Sanremo, Tour of Flanders, Paris-Roubaix, Volta a França, Volta a Espanha |
| Matteo Jorgenson | Clássicas das Ardenas, Volta à Suiça, Volta a França |
| Matthew Brennan | Clássicas do Norte, Volta à Suiça, Volta a Espanha |
| Bruno Armirail | Paris–Nice, Volta à Catalunha, Volta a França |
| Davide Piganzoli | Tirreno–Adriático, Giro d’Italia, Il Lombardia |
| Louis Barré | Ardenas, Il Lombardia |
Projeto feminino: continuidade e ambição
O bloco feminino da
Team Visma | Lease a Bike mantém-se firmemente numa via de continuidade e crescimento, com Pauline Ferrand-Prévot e Marianne Vos como referências absolutas.
Ferrand-Prévot entra no segundo ano com a equipa, a apontar às grandes clássicas e às mais importantes corridas por etapas, enquanto Vos continuará a ser pedra basilar nos Monumentos e nas provas de referência do calendário feminino.
Líderes da Team Visma | Lease a Bike feminina – temporada 2026
| Ciclista | Principais objetivos 2026 |
| Pauline Ferrand-Prévot | Strade Bianche Feminina, Volta à Flandres, Volta a Espanha Feminina, Volta a França Feminina |
| Marianne Vos | Milan-Sanremo Feminina, Paris-Roubaix, Amstel Gold Race, Volta a França Feminina |