As clássicas do empedrado arrancaram oficialmente, mas sem um dos protagonistas de 2025:
Mads Pedersen. O corredor da
Lidl-Trek recupera das lesões sofridas numa queda a alta velocidade na Volta à Comunidade Valenciana, que não só comprometeu a sua campanha da primavera, como também a vida em casa.
“Íamos a 70, 75 quilómetros por hora. Numa ligeira curva à esquerda, alguns tocaram-se e seguiram em frente. Eu não tinha escolha e tive de ir pelo talude”, disse Pedersen no
podcast da Lidl-Trek. “Vi muitos arbustos e esperei por uma aterragem suave, mas caí cerca de um metro em cima das pedras”.
O resultado foi um pulso fraturado e uma clavícula fraturada. Longe das câmaras de TV, o dinamarquês abandonou a corrida e iniciou a sua época de 2026 da pior forma. “Depois pensas ‘fogo, se parti as costas…’ Não estás a pensar em voltar à bicicleta, estás a pensar quão grave pode ser”. O diagnóstico apontou para várias semanas sem pedalar e um prazo incerto para regressar à competição.
No seu humor habitual, Pedersen destacou um problema improvável decorrente das fraturas: “Não conseguia limpar o rabo, pá. Parti o pulso esquerdo e tinha o braço engessado até acima do cotovelo. E a clavícula direita estava partida, por isso tinha o braço ao peito”, explicou. “Estive cinco dias sem conseguir fazer cocó. Quando aconteceu, foi um parto difícil”.
Regresso aos treinos
Desde então, o dinamarquês já voltou aos treinos na estrada, semanas antes do previsto, uma excelente notícia para a equipa alemã. Ainda assim, Pedersen mantém a cautela quanto ao que pode fazer e ainda não cumpre as horas ideais na estrada: “Eles passam seis horas por dia juntos na bicicleta, eu faço um pouco menos”. Quer, porém, voltar a competir dentro do próximo mês. “Se não acreditássemos nisso, eu não me andava a matar no rolo em casa”.
Faltam cinco semanas para a Volta à Flandres, margem que ainda permite evoluir. O dinamarquês está atualmente em Maiorca a treinar com vários colegas, mas não é claro quando poderá regressar à competição, nem se provas duras e trepidantes como a Flandres e, sobretudo, Paris-Roubaix são viáveis logo após uma fratura no pulso.
“Por isso é que não devemos entusiasmar-nos demasiado. Estamos a esticar os limites do possível”, avisa. “Não sabemos como o meu corpo vai reagir. Se fizer as clássicas, serão as minhas primeiras corridas. Sem ritmo competitivo antes, é uma grande incógnita como estarão as minhas pernas”.