Filippo Ganna transformou um dia que parecia perdido numa das maiores vitórias da sua já ilustre carreira, negando o triunfo a
Wout van Aert nos metros finais da
Dwars door Vlaanderen, após uma corrida marcada por contratempos, paciência e timing preciso.
O corredor da
INEOS Grenadiers chegou a parecer fora da discussão após múltiplos problemas mecânicos, mas regressou às posições da frente e assinou uma perseguição e um final perfeitamente medidos para ultrapassar Van Aert dentro do último quilómetro, em Waregem.
Falando à Cycling Pro Net após a meta, Ganna disse: “Pensei que a corrida tinha acabado para mim. Mas nunca desisti. Tentei lutar até ao fim”.
Dos contratempos à segunda oportunidade
A vitória de Ganna assentou tanto na resiliência como na força. A sua corrida foi interrompida duas vezes em momentos-chave, primeiro com uma roda dianteira partida e depois com um problema no guiador, forçando duas trocas de bicicleta que ameaçaram terminar com as suas hipóteses antes de o final começar.
“O dia todo tivemos um pouco de azar”, referiu na entrevista de vencedor. “Depois da primeira colina, parti a roda da frente e tive de trocar de bicicleta pela primeira vez. E depois parti o guiador. Após a segunda troca, pensei que a corrida tinha acabado para mim. Mas nunca desisti”.
Crucialmente, a INEOS Grenadiers manteve-o na corrida. A equipa controlou fases-chave, cobriu ataques e garantiu que Ganna se mantinha ao alcance enquanto a prova se partia nas subidas.
“Tive uma equipa incrível”, acrescentou. “Conseguiram cobrir os ataques e colocar-me bem em todas as subidas. Fizeram um trabalho fantástico, só posso agradecer-lhes”.
Ler Van Aert e escolher o momento
A fase decisiva surgiu quando Van Aert lançou um movimento de longo alcance no Eikenberg, comprometendo-se com um esforço a solo que rapidamente abriu uma diferença significativa. Enquanto os outros hesitaram, Ganna tomou a decisão calculada de não esperar por um sprint.
O italiano explicou que a experiência recente moldou essa escolha. “Já aconteceu antes. Na E3, quando o Mathieu foi a solo, o grupo quase voltou para o apanhar”, recordou. “Sabemos quão forte é o Van Aert e o motor que tem, por isso preferi lutar e tentar apanhá-lo antes do sprint. No fim, foi a melhor solução”.
Ainda assim, a tarefa esteve longe de ser simples. “O Wout fez um esforço impressionante. Apanhá-lo não foi fácil”.
Acreditar na última curva selou a vitória
Quando a corrida entrou nos quilómetros finais, o esforço sustentado de Ganna começou a surtir efeito. Com Van Aert ainda a segurar uma vantagem curta, o italiano assumiu a perseguição, reduzindo gradualmente a diferença até fazer a ponte nos derradeiros momentos.
Mesmo assim, não se permitiu acreditar que a vitória estava garantida. “Só acreditei que podia ganhar talvez na última curva”, contou. “O pelotão já tinha anulado movimentos antes”.
Só quando viu a meta ao alcance a situação ficou clara, ao passar por Van Aert e consumar uma reviravolta dramática. O triunfo ganha significado adicional para Ganna, que somou a sua primeira vitória em Clássicas do empedrado. “Acho que é uma das mais importantes, especialmente na ‘Universidade’ do ciclismo”, afirmou. “É realmente especial para mim”.
Dos problemas mecânicos a um final cronometrado ao milímetro, a vitória de Ganna foi tanto uma lição de juízo como de potência, uma corrida ganha não só com força, mas com timing e crença.