O ciclismo feminino conquista mais público do que nunca, mas continua frequentemente condicionado pelos limites de transmissão. Como em outros grandes eventos, a
Liege-Bastogne-Liege Feminina deste ano terminou depois da prova masculina, reduzindo a ação visível em antena.
Demi Vollering contestou fortemente esta opção após a sua vitória na La Doyenne.
“O desporto feminino merece muito mais. Quando comecei a sonhar com esta corrida, ainda não havia Liege-Bastogne-Liege para mulheres. Hoje lembra-nos o quanto já evoluímos, mas, ao mesmo tempo, também o quanto ainda falta percorrer”, disse a neerlandesa ao
De Telegraaf.
Vollering é uma das figuras que puxam o pelotão para a frente, com patrocínio pessoal da Nike e, segundo se reporta, um salário na ordem de 1 milhão de euros por temporada. Depois do que alcançou na Team SD Worx - ProTime, a FDJ United - Suez apresentou-lhe um contrato de peso para levar grandes vitórias e a Volta a França Feminina de regresso a uma equipa francesa.
Com os resultados desta primavera, incluindo triunfos na Omloop het Nieuwsblad, na Volta à Flandres e agora em Liège, surge bem posicionada para atacar no verão, apoiada por uma equipa onde também Elise Chabbey e Franziska Koch assinaram vitórias de destaque.
A partir de uma posição de força, Vollering usa a sua voz para denunciar o que considera um problema. “Falar e continuar a falar é algo que posso fazer. Pelos vistos, ainda é necessário. Limito-me a repetir o que ouço de muita gente. Os adeptos querem mais, e é importante manter o tema em cima da mesa”.
O ciclismo feminino é mais emocionante do que o masculino?
A corrida de domingo teve ação desde a quilometragem inicial, com as principais equipas a marcarem-se de perto. A sua colega e vencedora da Strade Bianche Feminina, Elise Chabbey, integrou um movimento ofensivo cedo com vários nomes sonantes; e a decisão acabou por surgir ainda longe da meta,
quando Vollering desferiu o ataque vencedor na Côte de la Redoute a 34 quilómetros do fim.
“Não sei se o meu ataque na La Redoute passou em direto. E mesmo que sim. Já tinha acontecido tanta coisa antes disso. A corrida de hoje foi tão emocionante, mas não se viu na televisão”, acrescentou. “Acho que temos de continuar a lutar por mais”.
Em algumas das grandes clássicas, as duas provas realizavam-se em dias separados, mas isso implica um esforço financeiro e logístico considerável. Cada vez mais, os organizadores optam por realizar ambas no mesmo dia, ficando a feminina para depois.
“Antes, começávamos aqui muito cedo, mas nessa altura a transmissão era mais longa. Agora terminamos depois dos homens, mas a emissão é mais curta. E não devia ser difícil. Usem dois sinais e alternem entre ambos”, defende.
“Quando o Pogacar vai embora entre os homens já se sabe, de qualquer forma, o que vai acontecer…”