O fim de uma espera que parecia eterna para os adeptos franceses pode estar no horizonte. Quatro décadas passaram desde o quinto triunfo de Bernard Hinault na
Volta a França, em 1985, mas surgiu um talento com traços de sucessor:
Paul Seixas. O jovem de 19 anos exibiu qualidades logo em 2026, com uma vitória isolada dominante na Faun-Ardèche Classic, seguida de um segundo lugar na Strade Bianche, cedendo apenas ao atual rei do pelotão, Tadej Pogacar.
Para
Christian Prudhomme, diretor da Volta a França desde 2007, seria o cumprir de uma missão ver um corredor da casa triunfar na Grande Boucle durante o seu mandato, algo que o seu antecessor, Jean-Marie Leblanc, só pôde sonhar.
Claro que já no ano de estreia como profissional ficara evidente que Seixas seria especial, ao subir ao pódio do Campeonato da Europa, entre outros resultados. Mas foi apenas no início deste ano que Prudhomme começou verdadeiramente a acreditar que o momento mágico de ver um francês no topo do pódio nos Champs-Élysées pode estar mais perto do que se pensava.
“Ouvi o Dominique Serieys (diretor da equipa Decathlon CMA CGM) falar sobre a vitória na Ardèche e disse que pensavam que ele estaria com três ou quatro corredores e que podia ganhar. Foi exatamente o que imaginei também”, explicou Prudhomme à
RMC Sport.
A Faun-Ardèche mudou tudo
À partida para a prova francesa 1.Pro, disputada nas mesmas estradas do último Campeonato da Europa, Seixas era inevitavelmente um dos principais favoritos, ao lado do compatriota Lenny Martinez, de Matteo Jorgenson e de Mattias Skjelmose, líderes consolidados e com palmarés vasto. Mas vê-los completamente dizimados por um solo de 40 quilómetros à la Pogacar parecia impensável.
“Vê-lo fazer uma fuga de 42 km, distanciar-se de corredores altamente talentosos, como fez, e levar até ao fim… É claro que já não vejo o jovem talento Seixas da mesma forma desde a vitória na Ardèche, sem dúvida. Há o Algarve, etc., as suas duas primeiras vitórias no pelotão profissional, com apenas 19 anos”.
Paul Seixas no pódio do Campeonato da Europa, ao lado das estrelas Tadej Pogacar e Remco Evenepoel
Paul é mais do que bem-vindo na Volta a França
A sensação de talento avassalador ficou sublinhada uma semana depois, na Strade Bianche, quando Seixas foi o único a conseguir responder, ainda que por instantes, ao ataque de Tadej Pogacar. Surge novamente a questão: deverá a Decathlon CMA CGM arriscar e lançar já este verão o seu jovem fenómeno na Volta a França?
“É uma joia”, insiste. “Se não estiver na Volta, não lhe vamos apontar nada, é óbvio, mas se estiver na Volta, também não lhe vamos apontar nada”.
No fim de contas, o mais importante é o próprio corredor sentir-se confiante para dar o salto. “Acho que no seu círculo, na família, ele próprio, saberão melhor do que eu qual é a resposta certa, mas, em qualquer caso, sim, devemos protegê-lo, lapidar este diamante, sem dúvida, porque é talento puro”, conclui.