As clássicas da primavera decorrem sem
Tiesj Benoot no pelotão. O corredor da Decathlon CGA CGM tem visto os Monumentos a partir de casa após ser submetido a
cirurgia a uma hérnia discal. É uma situação dura que não o impede de seguir cada movimento nas corridas. Aliás, tem elogiado o compatriota
Florian Vermeersch, que já subiu aos pódios da E3 e da Omloop esta primavera e tem agitado com frequência as restantes provas.
No
podcast Live Slow Ride Fast, Benoot partilhou as suas impressões sobre as últimas semanas, marcadas pela sua ausência e pelo bom rendimento da equipa. Acredita também que Vermeersch, que alinhará na Volta à Flandres e no Paris-Roubaix como gregário de
Tadej Pogacar, pode muito bem vencer ambas as corridas, dada a forma atual.
A notícia da operação surgiu em fevereiro, pouco depois de se juntar à nova equipa. A lesão foi um duro golpe, não só para a formação, que também perdeu Olav Kooij, mas sobretudo para o próprio Benoot.
O belga já explicara que, apesar da hérnia, os seus números físicos eram excelentes. Chegou a dizer que tinha registado os melhores valores de potência nos três minutos e cumpria um dos seus melhores invernos. Contudo, todo esse trabalho ficou em suspenso, obrigando-o a ver as suas clássicas preferidas no sofá.
Acompanhar a ação… e os amigos
Longe da competição, Benoot não perde nada do que se passa. Durante a E3 Saxo Classic, viu o final com dois amigos em férias, apreciando tanto a exibição da sua equipa como a de ciclistas próximos.
Em destaque está Florian Vermeersch, com quem mantém uma relação próxima, tal como com Stan Dewulf. Os três costumam passar férias juntos, o que leva Benoot a prestar atenção especial às suas prestações.
“Não há dúvidas de que tem pernas para ganhar uma corrida agora, mas é o tipo de corredor, como eu, que precisa que tudo caia no sítio”, diz sobre Vermeersch. O belga sublinha ainda a evolução recente: “O Florian já tinha dado um salto no ano passado, mas agora está ainda melhor. Além disso, traz a confiança que ganhou logo na Omloop”.
Florian Vermeersch, peça-chave para a UAE Team Emirates - XRG
Leitura tática da E3
Um momento que lhe prendeu o olhar foi a perseguição a Mathieu van der Poel na E3 Saxo Classic 2026, onde Vermeersch e Dewulf tiveram papel de destaque.
Do seu ponto de vista, o amigo não errou: “Fez o que devia. Se quer ganhar a corrida, tem de colaborar. Arriscou e perdeu, mas acho admirável que o tenha feito”.
Benoot acrescenta uma nuance, focando a comunicação entre os dois corredores: “Não creio que tenham falado um com o outro, mas eu teria falado. Eles são bons amigos”. Vai mesmo mais longe, imaginando a sua própria intervenção: “Eu teria dito: ‘Vamos lá, juntos ainda garantimos uma oportunidade de ganhar a corrida’”.
À medida que a recuperação avança, Benoot vive a primavera à distância, com os olhos no pelotão… e sobretudo no rendimento dos seus.