A performance de Wout van Aert na E3 Saxo Classic levantou dúvidas sobre o seu momento de forma nesta fase crítica das Clássicas da primavera. O belga da Team Visma | Lease a Bike esteve completamente fora das movimentações decisivas da corrida, que acabou por ser dominada de forma autoritária por Mathieu van der Poel, vencedor em solitário após um ataque demolidor a mais de 30 quilómetros da meta.
Van Aert, que regressava de um estágio em altitude, nunca pareceu confortável no pelotão e acabou por ter uma exibição apagada, especialmente tendo em conta a sua ambição de conquistar, finalmente, um Monumento empedrado.
No podcast Live Slow, Ride Fast, o ex-profissional Thomas Dekker comentou a prestação de Van Aert, revelando alguma frustração pela ausência de um duelo entre os dois grandes rivais.
"Sou adepto do ciclismo e quero ver uma boa luta. A Milan-Sanremo foi bonita porque Pogacar não conseguiu largar o Van der Poel. Vimos esse duelo tantas vezes no ciclocrosse. Queremos ver Van der Poel contra Van Aert. Não é o mesmo com Pedersen, porque nunca foi um verdadeiro duelo", explicou Dekker.
Dekker sublinhou que esperava uma exibição mais forte de Van Aert, precisamente por estar a iniciar a fase decisiva da sua campanha. Mas teme agora que o belga continue a ficar atrás dos dois nomes que têm dominado as clássicas mais exigentes.
"Esperava-se que ele descesse das montanhas e arrancasse com força para estas semanas. Espero que isso ainda aconteça, mas há uma grande probabilidade de não resultar. Van der Poel e Pogacar estão simplesmente num patamar superior. Van Aert tem de dar um grande passo."
Dekker mostrou ainda preocupação com a ausência de resposta física por parte do belga: "Vejo-o a tentar, a atacar ou a reduzir distâncias, mas não tem potência para fazer a diferença. Não consegue isolar-se nem corrigir situações. E, sejamos honestos, também não é melhor do que Van der Poel neste momento."
A análise tornou-se ainda mais direta quando Dekker sugeriu que Van Aert pode estar a entrar numa nova fase da carreira, onde lutar por pódios poderá substituir o objectivo de vencer Monumentos.
"Tudo gira à volta de conquistar um Monumento. Mas se, em breve, ele ficar satisfeito por ser segundo ou terceiro, isso representa uma mudança clara. Uma viragem na forma como encara a carreira."
Apesar da crítica, Dekker mantém alguma esperança na Visma e na capacidade da equipa de reagir. "Ainda acredito que a Visma possa vencer uma das grandes corridas. E que Van Aert possa voltar a estar forte. Mas será que é realista neste momento? Não me parece. Ele ficará satisfeito com um pódio. E quem sabe, talvez isso o inspire a dar o passo que falta, porque Van der Poel também vai ter dias menos bons no futuro."