A chegada de
Jarno Widar ao WorldTour é um das estreias mais aguardadas de 2026. Depois de se afirmar como um dos juniores mais promissores, o belga manteve a toada nos dois anos de sub-23, exibindo potencial em estado puro. Um período que terminou em grande com o
título europeu sub-23. Agora a dar o salto, a jovem promessa da Lotto-Intermarché tem um futuro risonho pela frente.
“Comecei a preparação a 01/11 e, desde então, tudo correu sem sobressaltos. Ainda não fiquei doente, por isso tudo segue conforme o plano”, revelou Widar à
Sporza num dia de imprensa.
A curiosidade é grande sobre onde Widar exibirá os seus argumentos, mas o jovem de 20 anos prefere guardar as cartas. “Tenho sempre objetivos definidos, mas vou mantê-los para mim. Dizer isso em voz alta dá azar. Vou trabalhar neles em silêncio e dar o meu melhor”.
Widar começará a temporada em Portugal, na
Figueira Champions Classic e na
Volta ao Algarve. Depois, apontará às clássicas da Valónia. “Para já não faço a Amstel Gold Race, mas pode ficar em aberto. A Volta a Itália não está em cima da mesa”. A Volta a França também não entra nos planos, mas a Volta a Espanha pode ser hipótese, consoante a evolução da época.
Comparação com Seixas
Há um nome que quase nunca fica de fora quando se fala de Widar: Paul Seixas. O francês, um ano mais novo, já deu cartas no WorldTour no primeiro ano de sub-23, terminando em 3º no Campeonato da Europa de elites, apenas atrás de Tadej Pogacar e Remco Evenepoel, dois dos melhores do pelotão mundial.
Remco Evenepoel, Tadej Pogacar e Paul Seixas no pódio do Campeonato da Europa
E por que razão Widar surge associado a Seixas? O belga bateu por duas vezes o corredor da Decathlon AG2R La Mondiale no Tour de l’Avenir, embora tenha falhado o triunfo final, com Seixas a mostrar-se mais forte nos dois contrarrelógios em subida. Os seus caminhos voltarão inevitavelmente a cruzar-se, ainda que Widar queira trilhar um percurso próprio no WorldTour.
“Ele esteve excecional, mas é um tipo de corredor diferente. Somos ambos trepadores, mas ele é mais de ritmo constante, enquanto eu sou mais ‘puncheur’-trepador”.
Sonho tornado realidade
A explosividade de Widar é, à partida, a sua arma principal em finais táticos. Resultou nos juniores e também entre os sub-23, mas será suficiente para o distinguir no pelotão WorldTour nas provas que aí vêm?
“Tudo recomeça do zero”, prefere cautela ao projetar o futuro. “Queremos resultados, mas, se conseguir tornar-me na melhor versão de mim próprio, ficarei orgulhoso”.
“Ainda não conquistei nada no pelotão profissional. É uma nova categoria, com novas oportunidades. Estou ansioso. É um sonho tornado realidade. Em miúdo, sonhava ser profissional. Agora está a acontecer. O pequeno Jarno ficaria orgulhoso”, conclui.