A semana de sonho da
XDS Astana Team na
Volta a Itália 2026 continuou da forma mais dramática na
6ª etapa, com
Davide Ballerini a sobreviver ao caos de quedas em Nápoles para sprintar para a vitória num final que se tornou traiçoeiro com a chuva.
Depois de Thomas Silva já ter conquistado uma etapa e envergado a Maglia Rosa durante a Grande Partida na Bulgária, a Astana voltou a acertar em solo italiano. Desta vez foi Ballerini a tirar o máximo partido de um final caótico, quando Dylan Groenewegen caiu no empedrado molhado após a Unibet Rose Rockets ter conduzido o pelotão de forma exemplar até à última curva.
Durante vários quilómetros, pareceu que a equipa de Groenewegen tinha cronometrado na perfeição a aproximação. Controlou as estradas sinuosas, as zonas de estrangulamento e a entrada em Nápoles, até tudo se desmoronar à vista da meta. Ballerini, colocado perto o suficiente para aproveitar mas lúcido para se manter de pé, emergiu da confusão e ouviu então no rádio de corrida que a oportunidade era sua.
“Entrei na última curva. Sabia que era uma dupla curva em pavê e, sobretudo, começava a ficar molhado, por isso sabia que estava muito escorregadio”,
disse Ballerini ao Cycling Pro Net após a etapa. “Tentei manter-me o mais seguro possível e vi os dois corredores na frente, à esquerda, caírem”.
Ballerini mantém o equilíbrio no meio da confusão
A última curva foi sinalizada todo o dia como ponto perigoso. O piso em paralelos, as curvas tardias e a ligeira rampa até à meta já faziam deste um final onde posicionamento e timing seriam tudo. Com as primeiras gotas de chuva, a margem de erro praticamente desapareceu.
Groenewegen foi a vítima mais visível. A roda dianteira do neerlandês escorregou no momento em que a Unibet parecia pronta para o lançar para uma possível primeira vitória neste Giro. Jonathan Milan também teve de serpentear pelo caos,
questionando depois a escolha do percurso após mais um final marcado por quedas.Ballerini também não saiu incólume ao perigo. Mesmo evitando a queda à sua frente, ainda sentiu a sua própria bicicleta deslizar quando abriu o sprint. “Logo à saída da curva comecei o sprint. Também perdi a roda traseira”, explicou. “Mas no rádio ouvi, penso que foi o Malucelli, a dizer-me: ‘Vai, vai, estás sozinho, estás sozinho.’ Então arranquei e empurrei até à linha”.
Essa chamada foi decisiva. Com o sprint totalmente desfeito atrás de si, Ballerini teve o caminho mais limpo até à meta e deu à Astana mais um momento maior num Giro que já superou todas as expetativas para a equipa.
Arranque estonteante da Astana no Giro continua
A vitória de Ballerini acrescenta mais uma camada ao que se tornou uma das histórias da primeira semana da corrida. A Astana chegou à Volta a Itália com ambições de vitórias em etapas, mas poucos previam dois triunfos e tempo de camisola rosa nas primeiras seis jornadas.
O feito de Silva na Bulgária já dera à equipa um patamar histórico. O triunfo de Ballerini em Nápoles transforma-o agora em algo mais do que um momento isolado. “Sim, há também outros rapazes aqui com muito boa forma”, disse Ballerini. “Acho que já o mostramos. Somos um grupo muito grande, maioritariamente italiano, mas também o Silva, o Lopez e os outros. Estamos a tentar aprender italiano hoje também, por isso eles estão a melhorar muito rápido”.
Num dia em que os favoritos ao sprint ficaram frustrados, em que o lançamento perfeito da Unibet desapareceu num deslize de um instante, e em que o Giro voltou a encontrar drama nos metros finais, a Astana saiu com mais uma vitória. Para Ballerini, foi um triunfo afiado e instintivo, o primeiro da carreira no Giro e o maior feito do seu palmarés. Para a equipa, mais um sinal de que a sua semana de abertura se tornou uma das histórias de sucesso mais inesperadas da corrida.