“Vingegaard está noutro nível” - Alberto Contador deixa veredito contundente sobre a Volta a Itália após ataque de Jonas Vingegaard na 2a etapa

Ciclismo
domingo, 10 maio 2026 a 11:30
Jonas Vingegaard
Jonas Vingegaard não vestiu a Maglia Rosa na 2ª etapa da Volta a Itália, mas deixou uma marca clara em Alberto Contador e Juan Antonio Flecha após um primeiro movimento explosivo na Bulgária.
O líder da Visma atacou perto do topo do Lyaskovets Monastery Pass, com apenas Giulio Pellizzari e Lennert Van Eetvelt a conseguirem juntar-se enquanto a corrida se fracionava a caminho de Veliko Tarnovo. O trio foi alcançado no quilómetro final, onde Thomas Silva venceu a etapa e subiu à liderança, mas a aceleração de Vingegaard ofereceu o primeiro retrato real da sua condição neste Giro.
Em declarações à Eurosport, Flecha defendeu que o dinamarquês já mostrou porque entrou na corrida como grande favorito. “Principal favorito, não é novidade”, comentou Flecha na transmissão. “Vem de um bloco muito bom de altitude depois da Volta à Catalunha. Aliás, cruzei-me com ele em Barcelona e disse-me que ia para a altitude. Foi treinar, fez o trabalho, é o principal favorito e está a fazer um ano muito bom”.
Para Flecha, a 2ª etapa foi menos sobre diferenças e mais sobre a forma como Vingegaard geriu mais um dia tenso. A tirada foi marcada por uma queda enorme em piso molhado, que forçou uma neutralização temporária e deixou vários corredores magoados, atrasados ou fora da corrida.
“Ele está a resolver os problemas”, acrescentou Flecha. “O importante não era ganhar tempo na meta, mas evitar contratempos. O Vingo vai dar espetáculo, está com vontade, a atacar, e é um prazer vê-lo atacar”.

Contador desvaloriza a comparação com Pellizzari

Pellizzari foi um dos destaques do dia, a fechar o espaço para Vingegaard após o ataque do dinamarquês e depois a compor o trio dianteiro com Van Eetvelt. Foi um sinal forte e precoce do corredor da Red Bull - BORA - Hansgrohe, que terminou em quinto na etapa e entrou no top 10 da geral.
Contador, porém, foi cauteloso em transformar uma resposta incisiva numa candidatura direta à liderança do Giro. “Vejo-o interessante para lutar pelo pódio, não para lutar pela vitória”, opinou Contador. “O Vingegaard está um degrau acima, noutro nível, e dizer o contrário seria não ser fiel à realidade”.
Isso não significa que Contador tenha desvalorizado a exibição de Pellizzari. Em vez disso, enquadrou-a no contexto de uma corrida de três semanas, onde a oportunidade e a hierarquia interna podem moldar o papel do italiano.
“É um corredor jovem que não vai ter muitas oportunidades, com o Lipowitz, com o Evenepoel, com o Roglic”, explicou Contador. “Para já, tem estado um pouco hipotecado. Agora, tendo um estatuto de liderança na corrida de casa, vai tentar aproveitá-lo, mas ficará dependente de Jonas Vingegaard, que é o claro favorito e o homem a bater”.

Quedas já estão a alterar o Giro

Contador apontou também as quedas como o perigo mais evidente para as ambições de Vingegaard na Volta a Itália. A 2ª etapa sublinhou essa ameaça de forma brutal, com a UAE Team Emirates - XRG muito afetada por uma queda coletiva em piso molhado antes da última subida.
Adam Yates perdeu muito tempo após cair, não partindo para a 3ª etapa, enquanto Jay Vine e Marc Soler foram transportados ao hospital. Santiago Buitrago foi igualmente forçado a abandonar depois de se envolver no mesmo incidente.
Para Contador, é aí que o Giro pode desviar-se da pura força para a sobrevivência. “Hoje foi aí”, disse. “Vimos como o Adam Yates se despediu da classificação geral e quase da corrida, e isso pode ser o maior obstáculo para corredores como o Vingegaard ou o maior aliado para ciclistas como o Pellizzari”.
Flecha olhou também para lá de Vingegaard e Pellizzari ao avaliar o primeiro esboço da geral, comparando a Netcompany Ineos com o leque mais amplo da Red Bull.
“Comparando a INEOS e a Red Bull, acho que na INEOS são ambos ‘diesel’, tanto o Arensman como o Bernal, e na Red Bull temos a explosividade do Pellizzari, que responde em finais como o de hoje, enquanto o Hindley precisa de mais dureza. Têm essa combinação”, analisou Flecha. “Na INEOS, têm menos coberturas. São dois perfis semelhantes, vão encontrar as mesmas situações. Na Red Bull, conseguem cobrir mais”.
Ao fim de duas etapas, Vingegaard ainda não ganhou tempo aos rivais diretos. Mas, para Contador e Flecha, os sinais iniciais são claros: o favorito do Giro parece pronto, a Red Bull tem cartas para jogar e o maior perigo da corrida pode ser o caos que chega antes da montanha.
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