“Depois disso, corres com medo no corpo...”: Thibau Nys desabafa sobre frustrante prova em Maasmechelen

Ciclocrosse
domingo, 25 janeiro 2026 a 9:00
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Para Thibau Nys, a Taça do Mundo de Maasmechelen não foi sobre resultados ou recordes, mas sobre limitações. A uma semana do Campeonato do Mundo em Hulst, o campeão belga andou sempre na frente, mas fechou em quarto, à procura de ritmo num dia em que outros, sobretudo Mathieu van der Poel, conseguiram impor-se apesar de contratempos repetidos.
“Foi um ciclocrosse terrível para mim”, admitiu Nys ao WielerFlits. “Nunca estive realmente dentro da corrida. Fui de erro em erro. Fisicamente, simplesmente não estava suficientemente fresco”.
O veredito foi dado sem dramatismo. Nys não apontou um erro decisivo ou um momento-chave, mas sim uma corrida que nunca encaixou. “Não foi certamente mau”, disse. “Mas, sendo totalmente honesto, acho que terminei onde merecia e que alguns rapazes simplesmente fizeram hoje uma corrida melhor”.

Um circuito que nunca permitiu fluidez

O traçado irregular e traiçoeiro de Maasmechelen foi central nessa sensação. Num circuito onde Van der Poel furou duas vezes e outros perderam ímpeto repetidamente, Nys raramente se sentiu confortável para pedalar por instinto.
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Nys tem sido apontado como o principal rival de Van der Poel para o Campeonato do Mundo
“Nunca tive realmente a sensação de conseguir pôr a potência cá fora ou fazer o meu trabalho”, explicou. “Havia algumas secções em que não estava à vontade. Três ou quatro vezes fiquei literalmente por cima da bicicleta. Depois disso, corres com medo no corpo para o resto do ciclocrosse”.
Essa cautela foi deliberada, não acidental. “Estava muito traiçoeiro, realmente perigoso”, sublinhou Nys. “E não me apetecia dar uma cambalhota ou que acontecesse algo de grave”. A consequência foi uma corrida sem fluidez nem confiança. “Fiz tudo o que pude para chegar ao pódio, mas faltou aquela faísca; foi essa a sensação”.

Lutar até ao fim, mas sem confiança

O que impressionou não foi Nys ter quebrado, mas ter continuado a disputar posições na frente apesar do desconforto. Mesmo assim, sentiu-se incapaz de se impor de verdade. “Não podia fazer melhor”, lamentou. “Não conseguia rolar bem na roda, nem fazer realmente o meu trabalho ou forçar a minha posição”.
Os erros não foram dramáticos, mas somaram-se. “De erro em erro”, resumiu Nys. “Nada de extremo, mas quebra o ritmo de cada vez. Isso fez-me rolar sem confiança na bicicleta”.

Olhar para Hulst

Nys deixou claro que a frescura também pesou. Embora tenha estagiado recentemente em Espanha, evitou ligar diretamente isso ao desempenho. “Não vim à partida com uma carga de trabalho extrema”, afirmou. “Mas fiz o máximo que podia esta semana, e senti isso”.
O foco agora passa pela recuperação, não por revisões. “Acho que preciso de procurar mais frescura para a próxima semana, para o Campeonato do Mundo”, observou. “Penso que estou no cronograma para fazer um bom ciclocrosse lá”.
Apesar da frustração em Maasmechelen, Nys vê a preparação como maioritariamente positiva. “Tem sido uma preparação perfeita”, afirmou. “Treinei bem e fiz o que tinha de fazer. Espero que isso se traduza na próxima semana num bom resultado”.
Muito, reconheceu, dependerá das condições em Hulst. “Muita coisa vai depender do estado do circuito, mas, normalmente, favorece-me. Portanto, devo estar mais fresco na partida”.
Maasmechelen pode ter sublinhado a diferença para Van der Poel num dia em que tudo lhe correu mal, mas para Nys também clarificou o que é preciso daqui para a frente. Com o Campeonato do Mundo à porta, o objetivo é simples: recuperar frescura, recuperar confiança e transformar uma tarde frustrante numa lição oportuna, não num aviso.
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