No ciclocrosse, a hesitação paga-se mais caro do que a agressividade.
Numa fria tarde de janeiro em Maasmechelen,
Puck Pieterse escolheu a decisão, reacendendo a sua
Taça do Mundo no momento mais crítico do inverno.
O movimento foi tão simples quanto implacável. Ao ver Amandine Fouquenet furar com a corrida ainda em suspenso, Pieterse atacou de imediato. “Quando vi que ela tinha um furo, ataquei logo, infelizmente é assim que se corre”, admitiu depois, frase que captou a realidade do ciclocrosse de elite e o seu instinto competitivo.
Uma vitória construída na atitude, não na sorte
A vitória na
Taça do Mundo UCI de Maasmechelen não foi apresentada por Pieterse como um golpe de sorte, mas como o momento em que atenção e prontidão se alinharam. Sabia bem que Fouquenet podia recuperar depressa, com as boxes perto e diferenças frágeis. O ataque, portanto, foi necessidade, não oportunismo.
Essa clareza de ideias contou. Pieterse já correra de forma agressiva antes, mostrando disponibilidade para assumir a dianteira em vez de esperar que outras impusessem o ritmo. Quando chegou o momento-chave, estava mentalmente preparada para agir.
O desfecho foi a sua primeira vitória na
Taça do Mundo em mais de dois anos, facto que aumentou o peso emocional da chegada. “É um grande alívio voltar a ganhar uma Taça do Mundo”, reconheceu. “Na época passada não consegui e isso fez-me perceber quão especial é vencer uma no ciclocrosse”.
Respeito pelo nível da corrida
Embora o resultado tenha sido claro, Pieterse fez questão de sublinhar a qualidade da concorrência. Apontou as exigências técnicas do circuito de Maasmechelen e a força das adversárias, em particular Fouquenet, cuja recuperação anterior já a levara ao limite.
“Esta foi certamente uma das corridas mais duras”, avaliou Pieterse, contrariando a ideia de que as vitórias neste nível surgem por defeito. As suas palavras também responderam à narrativa recorrente sobre quem atravessa disciplinas. “Às vezes parece que estão apenas algumas estradistas no pelotão, mas definitivamente não é o caso”, acrescentou.
A fotografia do pódio reforçou a ideia, com Pieterse a terminar à frente de Ceylin Alvarado, enquanto a líder da geral,
Lucinda Brand, teve de contentar-se com
uma rara corrida fora do top 3.A afinar no momento exato
Para lá do resultado, Maasmechelen trouxe garantias sobre a trajetória de Pieterse rumo ao Campeonato do Mundo. Depois de uma queda forte nos campeonatos nacionais dos Países Baixos no início do mês, que lhe quebrou o embalo, as últimas duas semanas foram tanto de recuperação como de preparação.
“Sabia que este fim de semana a forma tinha de estar boa se quiseres render na próxima semana”, disse. “As últimas duas semanas não foram fáceis após os nacionais, mas estou feliz por ver que tudo está a encaixar”.
Esse sentido de timing pode ser decisivo. Com Hulst no horizonte, Pieterse sai de Maasmechelen não só com um troféu da
Taça do Mundo, mas com a prova de que instinto, condição e confiança se alinharam na fase aguda da época. Numa disciplina decidida em segundos, essa combinação pode valer tanto como a força bruta.