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Decathlon CMA CGM pode ser uma das equipas em destaque no arranque de 2026, mas por trás dos resultados já estão em marcha mudanças estruturais significativas.
Segundo o WielerFlits, a equipa prepara-se para mudar a licença de francesa para suíça a partir de 2027, uma decisão motivada não pelo rendimento desportivo, mas pelas realidades financeiras de competir ao nível WorldTour. O calendário é revelador.
Com Paul Seixas a dominar a Volta ao País Basco e a afirmar-se como um dos corredores do ano, a Decathlon parece ganhar balanço na estrada enquanto repensa a sua operação fora dela.
Constrangimentos financeiros por trás da mudança
Apesar de operar com um orçamento robusto, a Decathlon CMA CGM tem tido dificuldade em igualar rivais do mesmo patamar financeiro, em grande parte devido às elevadas contribuições sociais em França. Os empregadores franceses pagam cerca de 40 a 45 por cento em contribuições sociais além dos salários dos corredores, uma das taxas mais altas da Europa. Esse custo adicional é há muito visto como um travão para equipas com licença francesa.
A passagem para licença suíça pretende corrigir esse desequilíbrio, permitindo canalizar uma fatia maior do orçamento diretamente para a performance e não para custos de estrutura.
Pelas regras atuais, as equipas não podem, em princípio, alterar a nacionalidade durante um ciclo ativo de licença WorldTour. No entanto, pode ser concedida uma exceção se um novo agente pagador de outro país for aprovado pelo Conselho de Ciclismo Profissional. Esse processo deverá permitir à Decathlon CMA CGM transitar para licença suíça a partir de 01.01.2027, ficando o novo registo bloqueado pelo menos até 2029.
Sucesso de Seixas expõe ambição em alta
A mudança surge numa fase em que a Decathlon CMA CGM já exibe potencial na estrada. As exibições de Seixas na
Volta ao País Basco não só o colocaram no comando firme da geral, como evidenciaram a capacidade da equipa para discutir vitórias ao mais alto nível WorldTour.
Com apenas 19 anos, o francês tornou-se um dos nomes mais falados do pelotão, e a sua ascensão intensificou o foco sobre a estratégia de longo prazo da equipa.
Paul Seixas vence de amarelo na Volta ao País Basco 2026
Segurar o maior ativo
Esse rumo poderá depender, em última análise, de a Decathlon conseguir manter Seixas para lá do contrato atual, que vigora até final de 2027.
O interesse no jovem francês já é amplo, com várias WorldTeams a seguir de perto a sua situação. A UAE Team Emirates - XRG, equipa do campeão do mundo Tadej Pogacar, estará entre as melhor posicionadas.
A mudança de licença, ainda que de natureza sobretudo financeira, pode também pesar nessa disputa. Ao reduzir os custos de estrutura, a Decathlon CMA CGM ficará melhor colocada para competir por talento de topo, tanto na contratação como na retenção.
Para já, o foco da equipa está nos resultados, e eles estão a chegar depressa. Mas a decisão de alterar a licença revela um cálculo de fundo já em curso. Um que pode ditar se o sucesso atual será uma base de crescimento ou um ponto alto isolado.