“Del Toro trabalhou quando foi preciso, algo que Ayuso não fez”: Joaquim Rodríguez vê mudança positiva na dinâmica interna da UAE

Ciclismo
terça-feira, 24 fevereiro 2026 a 14:00
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O antigo ciclista Joaquim “Purito” Rodríguez analisou o arranque da época no seu Puro Ciclismo Podcast e deixou várias reflexões incisivas sobre o estado atual do pelotão, com foco particular no fenómeno Tadej Pogacar, na ascensão de Isaac del Toro e na diferença entre este e Juan Ayuso dentro da UAE, entre outros temas.
Um dos pontos mais interessantes centrou-se na vida dentro da UAE e no espaço que Isaac Del Toro poderá ter à sombra de Tadej Pogacar. Purito não hesitou em sublinhar o que o esloveno representa no ciclismo moderno:
“Disse-lhe que acho que se vai retirar no topo. Vai retirar-se ao mais alto nível. Vai chegar um momento em que dirá, já não corro mais e não vejo ninguém”.
Sobre o mexicano, Joaquim Rodríguez foi claro ao apontar enorme capacidade: “Para mim, o Del Toro é um super corredor”, ainda que reconheça que o contexto não é simples: “Mesmo que te deem um calendário paralelo, por assim dizer, vais ser sempre o segundo líder. No Tour, porque no Tour é ele que vai”.

Atitude de Del Toro comparada com Ayuso

Ainda assim, estabeleceu uma distinção com outros casos dentro da equipa e elogiou a atitude de Del Toro: “Quando o Del Toro teve de trabalhar, trabalhou sem qualquer problema, algo que o Ayuso não fez”.
Chegou mesmo a abrir a porta à ideia de a estrutura sustentar dois líderes: “Acho que não é descabido a UAE ter dois líderes”, embora admita que, a longo prazo, a ambição pessoal pode moldar o rumo das coisas.

O nível extraordinário de Pogacar

O nível de Pogacar surgiu também após um treino que Purito descreveu como extraordinário. Depois de rever uma saída de mais de 130 quilómetros, 300 watts normalizados e uma média acima dos 41 km/h a solo, Purito foi taxativo: “É um abuso, e sozinho. Sozinho, completamente sozinho”.
Comparou essa abordagem com os métodos da sua geração, quando os blocos de treino eram mais estruturados e se priorizava a recuperação entre esforços: “Antes, fazias os teus blocos de treino… mesmo entre subidas aliviávamos para recuperar ao máximo do trabalho feito. Este tipo não pára”.
Com base na sua própria experiência, recordou que nunca foi, por natureza, um corredor de resistência: “Mesmo que pareça estranho, nunca fui um fundista natural. Tive de trabalhar imenso a minha base”.
Concluiu com uma reflexão que resume a evolução da modalidade: “O que vejo agora é que as pessoas vão muito depressa. O dia todo”.

Visma e Vingegaard

Houve ainda espaço para analisar a situação na Visma e em torno de Jonas Vingegaard, abordando quedas, mudanças na equipa técnica e rumores de patrocínio. Purito avançou duas leituras possíveis para a saída do treinador de Vingegaard:
“Ou o próprio Vingegaard não insistiu muito para o manter porque talvez não se sentisse confortável… ou há pressão extra nessa equipa e o próprio treinador disse que não aguentava essa pressão”.
Em todo o caso, alertou para o ambiente instável que a estrutura atravessa e deixou uma reflexão direta: “Se perdes um grande como a Visma, cuidado”, acrescentando que tais movimentos “não vão ter um efeito positivo”.

Dados fisiológicos de Van Aert

Numa nota mais fisiológica, o relatório de que a frequência cardíaca de repouso de Wout van Aert desceu aos 34 batimentos por minuto durante o sono fez Purito recordar os seus próprios números enquanto profissional.
“Já estive nos 38 batimentos por minuto, não a dormir, mas relaxado”, explicou, embora tenha alertado que uma medição isolada baixa não define a média: “34 parece muito extremo. Mas pronto, um pico nos 34… a média será…”

Clássica de Jaén e a queda de Van Gils

A Clássica de Jaén e a queda de Maxim Van Gils também estiveram em foco. Purito elogiou a própria corrida: “É uma prova espetacular que montaram ali. Brutal”.
Quanto à grande salvação já perto da meta, admitiu que não teria recuperado na mesma situação: “Se isso me acontece, ainda lá estava estendido”.
Queda de Maxim van Gils na Clássica de Jaén 2026
Van Gils caiu na Clássica de Jaén 2026 no sprint final
Sobre o incidente no sprint, pediu moderação no julgamento do corredor envolvido, Jan Christen: “Desclassificá-lo, claro… mas daí a algumas coisas que ouvimos estes dias… andamos de bicicleta. É azar. As quedas vão acontecer”.
Sublinhou ainda como são delicados os finais ao sprint: “O mais pequeno toque no guiador, se alguém te toca no guiador, estás feito”.

Arranque dominador da UAE

Por fim, destacou o arranque fulgurante da UAE nesta época, com vários corredores diferentes já a vencer: “Seis corredores diferentes, não é brincadeira”, antes de resumir o potencial coletivo da formação com uma frase que capta o momento da equipa: “Há seis tipos capazes de bater qualquer um no pelotão”.
Com o triunfo de Del Toro na UAE Tour e Pogacar ainda por começar a sua campanha, a competição interna na UAE surge tão intensa quanto a sua dominância na estrada.
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