Pauline Ferrand-Prévot acredita que
Paul Seixas deve aproveitar o momento enquanto a forma está no auge, numa ascensão fulgurante que alimenta expectativas crescentes de que poderá ser o corredor capaz de pôr fim à longa espera francesa por um vencedor da
Volta a França.
Em declarações citadas pela AFP, a campeã em título da Volta a França Feminina incentivou Seixas a agarrar a oportunidade em vez de hesitar sobre o próximo passo. “Quer o Paul faça o Tour, se assim quiser, deve desfrutar e, acima de tudo, manter a sua leveza”, sugeriu. “Deve tirar partido da forma que apresenta agora”.
Da Flèche Wallone ao debate sobre a Volta a França
A discussão sobre a potencial estreia de Seixas na Volta a França intensificou-se após a vitória na
La Flèche Wallone, onde foi o mais forte no Mur de Huy para selar um dos maiores triunfos da sua jovem carreira.
Com várias vitórias já esta época, incluindo o triunfo final na Volta ao País Basco, o francês passou rapidamente de talento emergente a figura central nas grandes conversas do pelotão. A decisão sobre a sua presença na Volta a França é esperada após a Liege-Bastogne-Liege, este fim de semana, mas o debate já ganhou dimensão nacional.
Paul Seixas corta a meta na La Flèche Wallone 2026
A perspetiva de Ferrand-Prevot moldada pela experiência
As palavras de Ferrand-Prevot ganham peso pela sua história recente. Em 2025, tornou-se a primeira ciclista francesa em décadas a vencer uma Volta a França, conquistando o título do Tour Feminino à primeira tentativa e pondo fim a uma longa espera por uma vencedora de amarelo em casa.
Essa perspetiva sustenta o conselho a Seixas, sobretudo no que toca ao timing numa carreira que pode evoluir depressa. “Dada a forma que tem, penso que deve tirar o máximo, divertir-se e, acima de tudo, nunca esquecer de continuar a desfrutar”, acrescentou. “Uma carreira passa num instante”.
Juventude, liberdade e a comparação com Pogacar
No centro da visão de Ferrand-Prevot está a importância de manter a liberdade que tem definido o estilo de Seixas. “A despreocupação da juventude é algo que se deve preservar o máximo de tempo possível”, disse. “São corredores que gostam de estar na bicicleta, e isso é algo que vale mesmo a pena segurar”.
Apontou Tadej Pogacar como referência, sugerindo que a mesma mentalidade ajudou a sustentar o sucesso ao mais alto nível. “Vê-se um pouco isso no Tadej também. Creio que é por isso que consegue manter-se tanto tempo no topo”.
A longa espera de França molda a narrativa
Por detrás do debate está o peso da história. França não tem um vencedor masculino da Volta a França desde 1985, uma seca que continua a ser uma das narrativas mais persistentes do ciclismo.
Nesse contexto, o aparecimento de Seixas tem sido inevitavelmente enquadrado por uma lente nacional mais ampla, com cada exibição a reforçar a ideia de que poderá ser o corredor a pôr termo a essa espera.
Para já, o foco está no desafio imediato, com a Liege-Bastogne-Liege a oferecer o próximo teste à sua forma. Mas, após uma campanha de 2026 de destaque, sublinhada recentemente pelo número na
La Flèche Wallone, e com vozes como a de Ferrand-Prevot a empurrá-lo para a frente, a conversa em torno de Seixas já ultrapassou a promessa e entrou no terreno das expectativas.