“É por isso que decidimos não fazer a Volta a França com Primoz Roglic” - Red Bull define plano para a camisola amarela em torno de Evenepoel e Lipowitz na tentativa de destronar Pogacar

Ciclismo
quarta-feira, 21 janeiro 2026 a 20:45
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A Red Bull - BORA - Hansgrohe não procura ser a melhor equipa do mundo. Pelo menos, não no sentido tradicional. À medida que a equipa avança para 2026 com os seus maiores nomes agora alinhados em torno da Volta a França, Ralph Denk deixou claro que o projeto assenta noutro princípio: atração, entretenimento e uma estrutura capaz de levar estrelas como Remco Evenepoel e Florian Lipowitz ao coração da luta pela Maillot Jaune.
“O nosso objetivo é ser a equipa mais atrativa do mundo”, disse Denk em conversa com a Marca. “O que significa ser atrativo? Render bem, vencer corridas e desenvolver grandes talentos, como Lorenzo Finn, Giulio Pellizzari, Remco Evenepoel e Florian Lipowitz”.
Acrescentou que, para si, “o entretenimento também faz parte do jogo; é até um pouco mais importante do que simplesmente ser a melhor equipa do mundo. Mas não é segredo: queremos vencer grandes corridas”.
Essa filosofia sustenta agora uma mudança clara na forma como a Red Bull molda o seu maior objetivo de 2026: a Volta a França. A decisão de retirar Primoz Roglic desses planos não é um desaire. É uma declaração sobre onde a equipa acredita residir agora a sua melhor hipótese.

A ascensão de Lipowitz e porque é que importa

As raízes desta mudança recuam a 2025. Denk admitiu que a temporada da equipa assentou demasiado numa corrida e num corredor. “Salvámos a nossa época graças a uma Volta a França muito boa do Florian Lipowitz, porque esta corrida tem um valor enorme no nosso desporto”, sublinhou. “Também estivemos bem na Vuelta, onde chegámos a vencer uma etapa. No entanto, nas clássicas podemos e devemos fazer melhor”.
Esse desempenho no Tour fez mais do que resgatar um ano. Mudou silenciosamente o estatuto de Lipowitz dentro da equipa. O que parecia um papel de apoio tornou-se prova de que podia ser confiado no maior palco do ciclismo. Com a chegada de Evenepoel como grande contratação, a Red Bull tem agora dois corredores que, de formas muito diferentes, podem liderar uma Grande Volta.
Por isso, o foco de Denk não está na hierarquia, mas no equilíbrio. “O nosso objetivo é arrancar com uma estratégia dual para termos mais hipóteses”, explicou quando questionado sobre a liderança na Volta a França. “Para mim, é muito importante que o Florian e o Remco estejam felizes nesta constelação”. Apontou as corridas de início de época como banco de ensaio, notando que na Catalunha “ambos correrão juntos e veremos como corre a batalha; por agora, estou bastante tranquilo”.
Estas palavras importam porque mostram como a Red Bull procura gerir a ambição com cuidado. Evenepoel chega como estrela global. Lipowitz chega como corredor que já entregou na maior montra do Tour. O plano não é coroar um demasiado cedo, mas deixar que o rendimento e as circunstâncias decidam.

Porque é que Roglic fica afastado do Tour

A mesma lógica explica a frase mais marcante da entrevista. Ao discutir o futuro de Roglic, Denk foi direto: “É por isso que decidimos não fazer a Volta a França com ele, porque queremos focar-nos completamente na Vuelta”.
Não é um juízo sobre o nível de Roglic. Denk chamou-lhe “muito profissional” e argumentou que, por ter começado a pedalar mais tarde, “pode competir ao mais alto nível por mais anos do que outros corredores”. Chegou a dizer que acredita que Roglic “pode vencer uma quinta Volta a Espanha”, desde que a preparação seja perfeita.
Mas a Red Bull já não quer dispersar os seus maiores recursos por frentes a mais. Com Evenepoel e Lipowitz a moldarem o projeto do Tour, Roglic torna-se o centro de gravidade para a Vuelta. Essa separação dá à equipa dois picos claros em vez de um só, diluído.

Um plano para o Tour assente na atração

No conjunto, as declarações de Denk desenham uma equipa que tenta ser mais do que eficiente. A chegada da Red Bull trouxe dinheiro, mas também uma mentalidade diferente. Ganhar importa, mas também importa como se ganha, quem vence e se o projeto é excitante em vez de apenas funcional.
É por isso que Evenepoel e Lipowitz estão no centro da estratégia para a Volta a França. Um traz perfil global e explosividade. O outro traz a credibilidade conquistada na corrida que continua a definir carreiras. Roglic, em vez de ser forçado ao mesmo enquadramento, tem o seu próprio palco mais tarde no ano.
A Red Bull não esconde a ambição. Quer grandes corridas, grandes nomes e grandes momentos. Mas, como Denk deixou claro, quer ser lembrada não apenas pelos troféus, mas pela forma como os persegue.
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