Jan Ullrich acredita que
Florian Lipowitz ainda não revelou todo o seu potencial e pode, a prazo, lutar por vitórias na
Volta a França, lembrando que nem os dominadores da era atual permanecerão no auge para sempre.
Em declarações à Sport1 na gala Desportista do Ano em Baden-Baden, na Alemanha, o antigo detentor da Maillot Jaune afirmou que o
terceiro lugar na estreia na Volta a França deste verão deve ser visto como ponto de partida, não como teto. Ullrich sublinhou que evolução, paciência e timing serão decisivos enquanto o alemão continua a sua ascensão.
Segundo Ullrich, Lipowitz “ainda tem algo em reserva” e “ainda não atingiu o pico”, acrescentando que há margem de progressão enquanto os rivais, inevitavelmente, seguem em sentido inverso.
“Ele ainda pode melhorar e os outros também estão a ficar mais velhos. A certa altura vão declinar”, disse Ullrich, referindo-se aos atuais padrões
Tadej Pogacar e
Jonas Vingegaard.
Ullrich vê os alicerces de um vencedor da Volta a França
Ullrich foi claro ao afirmar que o pódio de Lipowitz no Tour não foi um caso isolado. Destacou a estrutura que envolve o corredor de 25 anos, apontando a um ambiente de equipa sólido e a características pessoais que contam ao mais alto nível. “A base é boa. Ele tem uma boa equipa, um bom ambiente e ele próprio é uma personalidade forte”, apontou Ullrich.
Essa combinação, na ótica de Ullrich, explica porque Lipowitz conseguiu juntar ao pódio da geral a camisola branca de melhor jovem. Para o campeão da edição de 1997, estes sinais revelam um corredor capaz de lidar com pressão a longo prazo, e não apenas de produzir um desempenho isolado.
“Ele já está a preparar-se para o próximo ano”
Ullrich revelou também que mantém contacto regular com
Florian Lipowitz e ficou particularmente impressionado com o seu estado de espírito após a
Volta a França. Em vez de abrandar, Lipowitz virou de imediato o foco para o futuro.
“Ele está a treinar com afinco até ao Natal”, explicou Ullrich. “Já me disse que hoje não podia estar aqui por causa do treino. Ele já está a preparar-se para o próximo ano”.
Essa atitude sustenta a convicção de Ullrich de que uma nova evolução é realista. “Se a isso se juntar um pouco de sorte, então pode claramente avançar ainda mais”, afirmou.
Um sinal mais amplo para o ciclismo alemão
Para lá da ambição individual, Ullrich enquadrou o pódio de Lipowitz na
Volta a França como um momento importante para o ciclismo alemão no geral. Ver um alemão no pódio final em Paris ao lado de Pogacar e Vingegaard, sugeriu, já começou a mudar perceções.
“Foi realmente bonito ver o Lipo nos Campos Elísios no pódio com Vingegaard e Pogacar. Já se reconhece um pequeno boom no ciclismo”, vincou Ullrich, acrescentando que nota o mesmo efeito em casa. “Vejo isso nos meus filhos. Claro que algo assim desperta interesse quando um alemão está a correr na frente”.
Para Ullrich, essa visibilidade renovada apenas reforça a ideia de que a história de Lipowitz na
Volta a França está longe estar terminada.